MedEvo Simulado — Prova 2026
Enzo, um menino de 6 anos de idade, foi diagnosticado com vasculite por imunoglobulina A (Púrpura de Henoch-Schönlein) há quatro dias, apresentando o quadro clássico de púrpura palpável em membros inferiores e artralgia de tornozelos. Na ocasião, foi orientado repouso e uso de anti-inflamatórios não esteroides se necessário. Hoje, ele retorna à emergência trazido pelos pais devido a um quadro de dor abdominal intensa, de caráter intermitente e em cólica, associada a dois episódios de vômitos biliosos. Ao exame físico, o paciente encontra-se irritável, com abdome doloroso à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal franca, mas com uma massa palpável em flanco direito. Os pais referem que a última evacuação apresentou aspecto de 'geleia de morango'. Diante da principal suspeita diagnóstica para a complicação apresentada, qual o próximo passo mais adequado?
HSP + Dor abdominal súbita + Massa palpável → USG para excluir Invaginação Intestinal.
A invaginação intestinal é a complicação cirúrgica mais comum da Púrpura de Henoch-Schönlein, ocorrendo por hematomas submucosos que servem como ponto de partida para o deslizamento intestinal.
A Púrpura de Henoch-Schönlein (ou Vasculite por IgA) é a vasculite sistêmica mais comum na infância. Embora a tríade clássica inclua púrpura palpável, artralgia e dor abdominal, o surgimento de sintomas obstrutivos agudos deve alertar para a intussuscepção. Diferente da invaginação idiopática, na HSP ela é frequentemente ileo-ileal, embora a ileocolônica ainda ocorra. O diagnóstico precoce via USG é crucial para evitar necrose intestinal e permitir tentativas de redução não cirúrgica quando indicado.
A fisiopatologia envolve a formação de hematomas na parede intestinal devido à vasculite de pequenos vasos. Esses hematomas submucosos atuam como um 'ponto de partida' (lead point) que é capturado pelo peristaltismo, levando um segmento proximal do intestino a invaginar-se no segmento distal, causando obstrução e isquemia.
O achado patognomônico na ultrassonografia é o 'sinal do alvo' ou 'sinal do pseudorrim' em cortes transversais, representando as camadas sobrepostas da parede intestinal invaginada. É o exame de escolha pela alta sensibilidade e por não envolver radiação ionizante em crianças.
Deve-se suspeitar sempre que houver dor abdominal intensa, de caráter intermitente (cólica), vômitos biliosos, presença de massa palpável (geralmente em flanco direito) ou fezes com aspecto de 'geleia de morango' (sangue e muco), indicando sofrimento de alça.
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