Intussuscepção Pediátrica: Linfoma Abdominal

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Criança de 5 anos, feminina, se apresenta no Pronto-Socorro com história de dor abdominal em cólica de forte intensidade, vômitos biliosos há 2 dias. A mãe relata que a criança se encontra prostrada, abatida e que perdeu 5kg nos últimos 3 meses. Ao exame físico está bastante descorada, desidratada, com massa abdominal palpável em fossa ilíaca e flanco direitos. Ao toque retal, há saída de material mucossanguinolento em moderada quantidade. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE o diagnóstico mais provável e a melhor conduta para essa paciente.

Alternativas

  1. A) Intussuscepção intestinal secundária a linfoma abdominal; laparotomia exploradora.
  2. B) Apendicite aguda; enema opaco.
  3. C) Intussuscepção idiopática; Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética (RM) de abdômen.
  4. D) Pólipo intestinal hemorrágico; antibioticoterapia de largo espectro.

Pérola Clínica

Criança com intussuscepção + perda peso + prostração + massa abdominal → investigar causa secundária (ex: linfoma).

Resumo-Chave

Em crianças maiores (>2 anos) com intussuscepção, especialmente se há sintomas sistêmicos como perda de peso e prostração, deve-se suspeitar de uma causa secundária, como um linfoma abdominal, que atua como ponto-guia. A conduta nesses casos é cirúrgica.

Contexto Educacional

A intussuscepção intestinal é uma emergência abdominal comum na pediatria, caracterizada pela invaginação de um segmento intestinal em outro. Embora a maioria dos casos em lactentes seja idiopática, em crianças maiores, especialmente acima de 2 anos, a presença de um ponto-guia patológico deve ser fortemente considerada. Sintomas como dor abdominal em cólica intensa, vômitos biliosos, prostração, perda de peso e a presença de massa abdominal palpável, juntamente com material mucossanguinolento ao toque retal (geleia de framboesa), são altamente sugestivos. Neste cenário, a perda de peso e a prostração da criança, juntamente com a massa abdominal, elevam a suspeita de uma etiologia secundária, como um linfoma abdominal. O linfoma pode atuar como um ponto-guia, tracionando o intestino e causando a invaginação. O diagnóstico diferencial é crucial, pois a abordagem terapêutica difere da intussuscepção idiopática, que muitas vezes pode ser reduzida por métodos não cirúrgicos. A conduta para intussuscepção com suspeita de ponto-guia patológico, como o linfoma, é a laparotomia exploradora. Este procedimento permite a identificação e ressecção do ponto-guia, além da redução da intussuscepção e avaliação de outras possíveis complicações. Para residentes, é fundamental reconhecer os sinais de alerta que indicam uma intussuscepção secundária, garantindo um manejo adequado e evitando atrasos no diagnóstico de condições graves subjacentes.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de alerta para intussuscepção secundária em crianças?

Sinais de alerta incluem idade > 2 anos, perda de peso, prostração, massa abdominal palpável e sintomas atípicos, que sugerem a presença de um ponto-guia patológico.

Qual a conduta inicial para intussuscepção com suspeita de causa secundária?

A conduta inicial é a estabilização do paciente e, na suspeita de causa secundária ou sinais de complicação, a laparotomia exploradora é o tratamento definitivo para identificar e remover o ponto-guia.

Como diferenciar intussuscepção idiopática de secundária?

A intussuscepção idiopática é mais comum em lactentes e geralmente não tem ponto-guia. A secundária ocorre em crianças maiores, com sintomas sistêmicos e frequentemente associada a massas ou pólipos intestinais.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo