Intussuscepção Intestinal em Lactentes: Diagnóstico e Sinais

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Lactente masculino, com 4 meses de idade, é levado ao pronto socorro com em leve distensão abdominal, principalmente em quadrante superior direito, e vômitos de conteúdo alimentar há cerca de 24 h. A mãe relata que há alguns dias antes dessa piora, começou a apresentar crises de choro injustificado intercaladas com períodos de acalmia. A mãe notou fazes contendo substância gelatinosa e de cor róseo-avermelhada, o que a motivou a procurar serviço de Pronto-Atendimento. Ao exame, com estado geral comprometido, irritado, chorando muito, hidratado, afebril e acianótico. Ruídos abdominais presentes, levemente aumentados e com timbre metálico e a ultrassonografia de abdome mostrou imagem em ""alvo"" e ""pseudo rim"" no quadrante superior direito. Com base nesses informações, pode-se afirmar que, o diagnóstico mais provável para esse criança é:

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda.
  2. B) Estenose hipertrófica do piloro.
  3. C) Doença do refluxo gastro esofágico.
  4. D) Intussuscepção intestinal.

Pérola Clínica

Lactente com dor abdominal intermitente, vômitos, fezes em geleia de framboesa e USG 'alvo' → Intussuscepção intestinal.

Resumo-Chave

A intussuscepção intestinal é uma emergência pediátrica caracterizada pela invaginação de um segmento intestinal em outro. A tríade clássica inclui dor abdominal intermitente, vômitos e fezes em geleia de framboesa. A ultrassonografia abdominal é o método diagnóstico de escolha, revelando os sinais do 'alvo' ou 'pseudo-rim'.

Contexto Educacional

A intussuscepção intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes e crianças pequenas, geralmente entre 3 meses e 3 anos de idade. Caracteriza-se pela invaginação de um segmento do intestino em outro adjacente, mais frequentemente o íleo no cólon (ileocólica). A etiologia é idiopática na maioria dos casos, mas pode estar associada a adenovírus, divertículo de Meckel ou pólipos em crianças mais velhas. É uma emergência cirúrgica que exige reconhecimento e tratamento rápidos para evitar morbidade e mortalidade. O quadro clínico típico envolve dor abdominal súbita e intermitente, que faz a criança chorar intensamente e flexionar as pernas sobre o abdome, alternando com períodos de acalmia. Vômitos são comuns, inicialmente alimentares e depois biliosos. Um sinal patognomônico, embora tardio, são as fezes com muco e sangue, descritas como 'geleia de framboesa'. Ao exame físico, pode-se palpar uma massa em forma de 'salsicha' no abdome. A ultrassonografia é o método diagnóstico de escolha, mostrando o sinal do 'alvo' ou 'pseudo-rim'. O tratamento inicial é a redução não cirúrgica, geralmente por enema pneumático ou hidrostático (com soro fisiológico ou contraste), sob fluoroscopia ou ultrassonografia. O sucesso da redução é maior quanto mais precoce o diagnóstico. Em casos de falha da redução não cirúrgica, sinais de peritonite, perfuração ou instabilidade hemodinâmica, a intervenção cirúrgica é indicada para desinvaginar o intestino ou ressecar o segmento necrótico. O prognóstico é excelente com diagnóstico e tratamento oportunos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da intussuscepção intestinal em lactentes?

Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente (crises de choro intenso seguidas por períodos de acalmia), vômitos (inicialmente alimentares, depois biliosos) e a presença de fezes com muco e sangue, descritas como 'geleia de framboesa'.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico da intussuscepção?

A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico, revelando a imagem característica em 'alvo' (ou 'donut') ou 'pseudo-rim' no corte transversal, que representa as camadas concêntricas do intestino invaginado.

Qual a importância do diagnóstico precoce da intussuscepção intestinal?

O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves como isquemia intestinal, necrose, perfuração e peritonite, que podem levar a sepse e óbito. O tratamento, geralmente por redução hidrostática ou pneumática, é mais eficaz quando realizado nas primeiras 24-48 horas.

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