Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021
Lactente de 4 meses, em uso de fórmula láctea, apresenta há 2 dias febre (38,5 ºC), diarreia, vômitos e diminuição da diurese. A diarreia caracteriza-se por fezes líquidas, explosivas, sem sangue ou muco. Ao exame físico, está em regular estado geral, com mucosas secas, choro sem lágrimas, com frequência cardíaca de 130 bpm, frequência respiratória de 36 ipm e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. O abdome está globoso, distendido, com ruídos hidroaéreos aumentados e apresenta hiperemia perianal. Após estar hidratado, o lactente recebeu alta hospitalar com receita de soro de reidratação oral. Retornou após 12 horas com piora dos vômitos, da irritabilidade e aparecimento de sangue nas fezes. Ao exame físico, encontrava-se choroso, desidratado e com presença de massa abdominal palpável. A principal hipótese diagnóstica é:
Lactente com dor abdominal súbita, vômitos, fezes sanguinolentas e massa palpável → Intussuscepção intestinal.
A intussuscepção intestinal deve ser fortemente suspeitada em lactentes com quadro de dor abdominal intermitente, vômitos, e especialmente se houver sangramento retal (fezes em geleia de framboesa) e massa abdominal palpável. A piora dos sintomas após uma diarreia viral é um gatilho comum, e a desidratação pode mascarar o quadro inicial.
A intussuscepção intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes e crianças pequenas, geralmente entre 3 meses e 3 anos de idade. É uma emergência pediátrica que ocorre quando um segmento do intestino se invagina em outro segmento adjacente, levando à obstrução e, se não tratada, à isquemia e necrose intestinal. A etiologia é frequentemente idiopática, mas pode ser associada a infecções virais (adenovírus), divertículo de Meckel ou pólipos. O quadro clínico típico envolve dor abdominal súbita e intermitente, que faz a criança chorar intensamente e encolher as pernas, alternando com períodos de acalmia. Vômitos, inicialmente alimentares e depois biliares, são comuns. Um sinal tardio, mas patognomônico, são as fezes em "geleia de framboesa", que indicam isquemia da mucosa intestinal. Ao exame físico, pode-se palpar uma massa abdominal em forma de salsicha, geralmente no quadrante superior direito. A desidratação e a irritabilidade são achados frequentes. O diagnóstico é primariamente clínico e confirmado por ultrassonografia abdominal. O tratamento inicial envolve estabilização do paciente e, se não houver sinais de peritonite ou perfuração, a redução hidrostática ou pneumática (enema) é a primeira linha de tratamento. Em casos de falha da redução não cirúrgica, instabilidade hemodinâmica ou sinais de complicação, a cirurgia é indicada. O prognóstico é excelente com diagnóstico e tratamento precoces.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente (choro paroxístico), vômitos (inicialmente alimentares, depois biliares), fezes com sangue e muco ("geleia de framboesa") e uma massa abdominal palpável em forma de salsicha.
A intussuscepção pode ser desencadeada por infecções virais que causam hiperplasia dos linfonodos mesentéricos, servindo como ponto de partida para a invaginação. O quadro inicial de diarreia e vômitos pode evoluir para dor intensa, sangramento e sinais de obstrução.
A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha, revelando o sinal do "alvo" ou "pseudorrim" na secção transversal. Em muitos casos, o enema com ar ou contraste pode ser diagnóstico e terapêutico.
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