USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Menino, 6 meses de idade. Há 6 horas iniciou quadro de dor abdominal em cólica, intensa, com período de acalmia. Evoluiu com piora da dor apresentando episódios mais frequentes com as mesmas características e vômitos. Na ocasião da troca das fraldas, informante refere sangue e muco. Exame físico: estado geral preservado, sem dor na ocasião do exame. Hidratado, corado, eupneico, afebril. Abdome globoso, flácido, sem distensão. Sinal de Dance positivo. Imediatamente encaminhado para exame contrastado, enema opaco. Considerando o provável diagnóstico e a conduta (enema opaco) proposta, qual o resultado esperado?
Intussuscepção em lactentes: dor em cólica, vômitos, fezes em geleia de framboesa, massa palpável (Dance). Enema opaco é diagnóstico e terapêutico.
A intussuscepção intestinal é uma emergência pediátrica comum, especialmente em lactentes, caracterizada pela invaginação de um segmento intestinal em outro. O enema opaco (ou pneumático) é a conduta de escolha, pois permite tanto o diagnóstico quanto a redução não cirúrgica do intussuscepto na maioria dos casos, evitando a cirurgia.
A intussuscepção intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em crianças entre 3 meses e 3 anos de idade, com pico de incidência entre 5 e 9 meses. É caracterizada pela invaginação de um segmento do intestino em outro, geralmente o íleo no cólon (ileocólica). A etiologia é frequentemente idiopática em crianças pequenas, mas pode estar associada a um ponto de partida (leading point) como divertículo de Meckel, pólipos ou linfonodos hiperplásicos em crianças maiores. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal súbita e intermitente em cólica, vômitos (inicialmente alimentares, depois biliosos), e fezes com sangue e muco, classicamente descritas como "geleia de framboesa". Ao exame físico, pode-se palpar uma massa em forma de salsicha no abdome (sinal de Dance), e o paciente pode apresentar letargia ou irritabilidade. O diagnóstico é frequentemente confirmado por ultrassonografia abdominal, que revela o sinal do "alvo" ou "pseudorrim". O tratamento de escolha é a redução não cirúrgica por enema (hidrostático com contraste ou pneumático com ar), que é diagnóstico e terapêutico em até 80-90% dos casos não complicados. A cirurgia é indicada em casos de falha da redução não cirúrgica, sinais de peritonite, perfuração intestinal ou instabilidade hemodinâmica. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para evitar complicações graves como necrose intestinal e perfuração.
A intussuscepção manifesta-se com dor abdominal súbita e intermitente em cólica, vômitos, e fezes com sangue e muco, descritas como "geleia de framboesa". O sinal de Dance, uma massa palpável no abdome, também é um achado importante.
O enema opaco (ou pneumático) é crucial porque serve tanto para confirmar o diagnóstico, visualizando a imagem em alvo ou "mola", quanto para realizar a redução hidrostática ou pneumática do intussuscepto, sendo terapêutico em grande parte dos casos.
Os diagnósticos diferenciais incluem gastroenterite aguda, apendicite aguda, hérnia encarcerada, volvo intestinal e diverticulite de Meckel. A história clínica e exames de imagem, como a ultrassonografia, são fundamentais para a diferenciação.
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