Intussuscepção Intestinal: Diagnóstico e Sinais Chave

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Lactente, sexo feminino, 2 meses e 15 dias de idade, é trazida ao serviço de emergência devido a quadro de irritabilidade, vômitos e ausência de evacuação há um dia. Trata-se de criança nascida de termo, sem intercorrências perinatais, em aleitamento materno complementado com fórmula láctea de partida desde a alta da maternidade. Apresenta vacinação em dia de acordo com o calendário nacional. Ao exame clínico, está em regular estado geral, descorada 1+/4+, e apresenta episódios de choro inconsolável. Após exame de toque retal, a paciente eliminou evacuação conforme a imagem a seguir:Qual das opções abaixo confirmará a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Teste de exclusão de proteína de leite de vaca.
  2. B) Realização de ultrassonografia de abdome.
  3. C) Coleta de coprocultura e pesquisa de toxina de Clostridium difficile.
  4. D) Realização de radiografia de abdome em posição ortostática e decúbito dorsal.

Pérola Clínica

Lactente com dor abdominal, vômitos, irritabilidade e fezes em geleia de framboesa → Intussuscepção, confirmar com USG abdominal.

Resumo-Chave

A intussuscepção é uma emergência pediátrica comum, caracterizada pela invaginação de um segmento intestinal em outro. A tríade clássica de dor abdominal intermitente, vômitos e fezes em geleia de framboesa é altamente sugestiva. A ultrassonografia de abdome é o exame de escolha para o diagnóstico, mostrando o sinal do 'alvo' ou 'pseudorrim'.

Contexto Educacional

A intussuscepção intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em crianças entre 3 meses e 3 anos de idade, sendo uma emergência cirúrgica pediátrica. Caracteriza-se pela invaginação de um segmento do intestino em outro adjacente, levando à obstrução e, se não tratada, à isquemia e necrose intestinal. A etiologia é idiopática na maioria dos casos, mas pode estar associada a infecções virais (adenovírus), hipertrofia de placas de Peyer ou, mais raramente, a um ponto de partida patológico (ex: divertículo de Meckel, pólipo).A fisiopatologia envolve a compressão dos vasos mesentéricos, resultando em edema, hemorragia e, eventualmente, isquemia e perfuração. O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica de dor abdominal intermitente, vômitos e fezes em geleia de framboesa. Ao exame físico, pode-se palpar uma massa em forma de salsicha no abdome. A ultrassonografia abdominal é o método diagnóstico de escolha, com alta sensibilidade e especificidade, visualizando o 'sinal do alvo' ou 'pseudorrim'. Radiografias simples de abdome podem mostrar sinais de obstrução, mas não são diagnósticas.O tratamento inicial visa estabilizar o paciente e tentar a redução não cirúrgica, geralmente por enema pneumático ou hidrostático (com soro fisiológico) guiado por ultrassom ou fluoroscopia. A taxa de sucesso é alta, especialmente se o diagnóstico for precoce. Em casos de falha da redução, sinais de peritonite, perfuração ou instabilidade hemodinâmica, a cirurgia é indicada para redução manual ou ressecção do segmento intestinal afetado. O prognóstico é bom com diagnóstico e tratamento precoces, mas atrasos aumentam o risco de complicações graves e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da intussuscepção intestinal em lactentes?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente (o bebê chora inconsolavelmente e depois acalma), vômitos (inicialmente alimentares, depois biliosos), e a eliminação de fezes com sangue e muco, descritas como 'geleia de framboesa'. Irritabilidade e letargia também são comuns.

Por que a ultrassonografia de abdome é o exame de escolha para intussuscepção?

A ultrassonografia é não invasiva, não utiliza radiação e tem alta sensibilidade e especificidade para identificar a intussuscepção. Ela revela o 'sinal do alvo' ou 'pseudorrim', que é a imagem característica dos segmentos intestinais invaginados, confirmando o diagnóstico.

Qual a conduta inicial após o diagnóstico de intussuscepção?

Após o diagnóstico, a conduta inicial envolve estabilização do paciente (hidratação venosa, correção eletrolítica) e tentativa de redução não cirúrgica, geralmente por enema pneumático ou hidrostático guiado por imagem. Em casos de falha da redução ou sinais de peritonite, a cirurgia é indicada.

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