Intussuscepção Intestinal Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento

HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Criança de 9 meses, previamente hígida, é trazida ao PS com mãe relatando que criança está mais irritada e apresentou 4 vômitos nas últimas 6 horas, sendo o último esverdeado. Nega febre ou contato com comunicantes doentes. Ao exame, observado abdome com RHA reduzidos, distendido e doloroso à palpação, e sangue em fezes nas fraldas. Solicitada avaliação cirúrgica e realizado US, que evidencia imagem em alvo. Qual a hipótese diagnóstica e conduta mais apropriados?

Alternativas

  1. A) lntussuscepção intestinal, enema opaco.
  2. B) Adenite mesentérica, jejum, analgesia e antibioticoterapia.
  3. C) Divertículo de Meckel, laparotomia exploradora
  4. D) Doença de Hirschprung, biópsia retal
  5. E) Apendicite aguda, laparotomia exploradora

Pérola Clínica

Criança <1 ano, dor abdominal, vômito biliar, fezes em geleia de framboesa, US 'alvo' → Intussuscepção. Enema opaco = diagnóstico e tratamento.

Resumo-Chave

A intussuscepção intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em crianças < 2 anos. A tríade clássica de dor abdominal intermitente, vômitos e fezes com sangue ('geleia de framboesa') é sugestiva. O ultrassom com imagem em 'alvo' é diagnóstico, e o enema opaco (ar ou contraste) é tanto diagnóstico quanto terapêutico.

Contexto Educacional

A intussuscepção intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes e crianças pequenas, geralmente entre 3 meses e 3 anos de idade, com pico de incidência entre 5 e 9 meses. É uma condição de emergência pediátrica que exige reconhecimento e tratamento rápidos para evitar complicações graves como isquemia, perfuração intestinal e peritonite. A etiologia é frequentemente idiopática, mas pode estar associada a adenovírus ou linfonodos mesentéricos aumentados. O quadro clínico típico inclui dor abdominal súbita e intermitente, que faz a criança chorar intensamente e se encolher, seguida por períodos de acalmia. Vômitos, inicialmente alimentares e depois biliares (esverdeados), são comuns. Um sinal clássico, embora tardio, são as fezes com sangue e muco, descritas como 'geleia de framboesa'. Ao exame físico, pode-se palpar uma massa abdominal em forma de salsicha. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que revela a característica 'imagem em alvo' ou 'sinal do pseudorrim', representando as camadas concêntricas da alça invaginada. A conduta mais apropriada, após a estabilização hemodinâmica do paciente, é a redução não cirúrgica da intussuscepção, geralmente realizada por enema opaco (com ar ou contraste hidrossolúvel). Este procedimento é tanto diagnóstico quanto terapêutico, com altas taxas de sucesso quando realizado precocemente. A cirurgia é reservada para casos de falha da redução por enema, sinais de peritonite, perfuração intestinal ou quando há um ponto-guia patológico (como um divertículo de Meckel). O prognóstico é excelente com tratamento oportuno.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da intussuscepção intestinal em crianças?

Os sinais incluem dor abdominal súbita e intermitente (em cólicas), vômitos (podendo ser biliares), fezes com sangue e muco ('geleia de framboesa') e, por vezes, uma massa palpável em forma de salsicha no abdome.

Como o ultrassom auxilia no diagnóstico da intussuscepção intestinal?

O ultrassom é o método de imagem de escolha, revelando a característica 'imagem em alvo' ou 'sinal do pseudorrim', que representa uma alça intestinal invaginada dentro de outra, confirmando o diagnóstico.

Qual a conduta inicial mais apropriada para a intussuscepção intestinal?

Após a estabilização hemodinâmica do paciente, o enema opaco (com ar ou contraste hidrossolúvel) é a conduta de escolha, pois pode ser diagnóstico e terapêutico, reduzindo a invaginação em muitos casos sem cirurgia.

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