Intussuscepção em Lactentes: Relação com Vacina Rotavírus

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024

Enunciado

Lactente, masculino, 4 meses e 9 dias de vida, deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com história de sucessivos vômitos biliosos, distensão intestinal, fezes em “geleia de framboesa”. Ao exame físico, apresentava-se irritado, choroso, taquipneico, taquicárdico, com abdome distendido e tenso difusamente, doloroso à palpação superficial e profunda, com descompressão brusca positiva e presença de massa palpável em fossa ilíaca direita, RHA+ aumentados. Realizado toque retal com presença de secreção em grumos hemáticos em pequena quantidade, tipo "geleia de framboesa". Foi transferido para o Hospital Universitário. O Rx simples de abdome evidenciou dilatação do intestino delgado. Na sonda nasogástrica, observou-se saída de material fecaloide. Paciente foi levado ao centro cirúrgico para realização de laparotomia exploradora onde foi confirmado o diagnóstico de intussuscepção intestinal. Mãe refere que a criança era saudável, estava em aleitamento materno exclusivo, negou doenças, diz fazer uso de sulfato ferroso e vitamina D. As vacinas estão em dia, tendo recebido a dos 4 meses sete dias antes do aparecimento do quadro relatado. Considerando que pode ser uma reação adversa a vacinas, qual vacina que faz parte do PNI/MS seria a responsável?

Alternativas

  1. A) Rotavírus
  2. B) Vacina inativada da pólio (VIP)
  3. C) Pentavalente
  4. D) Pneumocócica

Pérola Clínica

Intussuscepção em lactente + vacina Rotavírus recente → Suspeitar de reação adversa vacinal.

Resumo-Chave

A vacina oral contra o Rotavírus, embora segura e eficaz, tem uma associação rara com intussuscepção intestinal, especialmente nas primeiras semanas após a primeira ou segunda dose. É crucial estar atento a este diagnóstico diferencial em lactentes vacinados com sintomas típicos.

Contexto Educacional

A intussuscepção intestinal é uma emergência pediátrica caracterizada pela invaginação de um segmento intestinal em outro adjacente, causando obstrução e isquemia. É a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes entre 3 meses e 3 anos de idade. Os sintomas clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente, vômitos biliosos e fezes em 'geleia de framboesa', que são indicativos de sangramento e muco. Embora a maioria dos casos de intussuscepção em lactentes seja idiopática, a vacina oral contra o Rotavírus tem sido associada a um pequeno aumento do risco, especialmente nas primeiras semanas após a vacinação. Este risco é bem documentado, mas o benefício da vacina na prevenção de gastroenterites graves por Rotavírus supera amplamente o risco de intussuscepção. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves como necrose intestinal e perfuração. O tratamento inicial pode ser a redução hidrostática ou pneumática (enema com ar ou contraste) sob fluoroscopia ou ultrassonografia. Em casos de falha da redução não cirúrgica, sinais de peritonite ou instabilidade hemodinâmica, a laparotomia exploradora é indicada para desinvaginação manual ou ressecção do segmento intestinal afetado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da intussuscepção intestinal em lactentes?

Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente, vômitos (inicialmente alimentares, depois biliosos), fezes em 'geleia de framboesa' e uma massa palpável em forma de salsicha no abdome.

Qual o mecanismo proposto para a associação entre a vacina Rotavírus e a intussuscepção?

Acredita-se que a vacina possa causar uma hipertrofia dos linfonodos mesentéricos ou placas de Peyer, que atuam como um ponto de partida (cabeça de invaginação) para a intussuscepção.

Qual o período de maior risco para intussuscepção após a vacina Rotavírus?

O risco é maior nas primeiras 7 dias após a administração da primeira ou segunda dose da vacina, diminuindo significativamente após esse período.

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