Intussuscepção Intestinal no Adulto: Conduta Cirúrgica

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 42 anos de idade, procura pronto atendimento por dor abdominal difusa em cólica há um mês. Relata piora do quadro álgico, náuseas e vômitos nos últimos três dias, não tendo evacuado ou eliminado flatos nesse período. Tabagista atual e com antecedente de apendicectomia há 20 anos. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, desidratado 1+/4+, com pressão arterial de 120x80 mmHg, frequência cardíaca de 80bpm, escala de coma de Glasgow 15. Abdome distendido, ruídos hidroaéreos aumentados, flácido, doloroso à palpação difusamente, sem sinais de irritação peritoneal, presença de massa endurada em região epigástrica. Toque retal com ampola vazia. Realizou tomografia de abdome, ilustrada a seguir: Após passagem de sonda nasogástrica e hidratação endovenosa, a conduta indicada para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Retossigmoidectomia Hartmann.
  2. B) Colonoscopia descompressiva.
  3. C) Colectomia direita ampliada.
  4. D) Sigmoidostomia em alça.

Pérola Clínica

Intussuscepção no adulto = Ponto de apoio (lead point) geralmente maligno → Ressecção oncológica sem redução prévia.

Resumo-Chave

Diferente da pediatria, a intussuscepção em adultos é causada por lesões orgânicas (neoplasias em >60% dos casos), exigindo ressecção cirúrgica primária (colectomia) seguindo princípios oncológicos.

Contexto Educacional

A intussuscepção intestinal no adulto ocorre quando um segmento do intestino (intussusceptum) se invagina para dentro de um segmento adjacente (intussuscipiens). O quadro clínico é de abdome agudo obstrutivo, com dor em cólica, distensão e vômitos. A tomografia computadorizada é o exame diagnóstico de escolha, apresentando a imagem clássica em 'alvo' ou 'pseudorrim'. No adulto, a localização colônica é altamente suspeita para adenocarcinoma de cólon. Já no intestino delgado, as causas podem ser benignas (pólipos, lipomas, divertículo de Meckel) ou malignas (metástases, linfoma). O tratamento definitivo é cirúrgico. A escolha da técnica (como a colectomia direita ampliada) depende da localização da massa e da viabilidade do tecido, sempre priorizando a ressecção oncológica quando a malignidade não pode ser excluída.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre intussuscepção em crianças e adultos?

Em crianças, a maioria é idiopática e tratada com redução hidrostática (enema). Em adultos, a intussuscepção é rara (1-5% das obstruções) e quase sempre (90%) possui uma causa orgânica identificável, chamada de 'lead point'. No cólon, cerca de 60-80% dessas causas são neoplasias malignas, o que dita uma abordagem cirúrgica radical.

Por que a colectomia direita ampliada é a conduta no caso?

O paciente apresenta sinais de obstrução intestinal e uma massa epigástrica. A tomografia sugere intussuscepção ileocólica ou colocolônica proximal. Devido à alta probabilidade de uma neoplasia de cólon direito ser o fator desencadeante, a ressecção oncológica (colectomia direita ampliada com linfadenectomia) é necessária para tratar tanto a obstrução quanto a provável causa subjacente.

Pode-se tentar reduzir a intussuscepção no adulto antes de ressecar?

Geralmente não é recomendado para intussuscepções colônicas. A manipulação pode causar perfuração de um segmento isquêmico e, se houver câncer, pode levar à disseminação venosa ou peritoneal de células tumorais. A ressecção 'em bloco' sem redução prévia é o padrão-ouro oncológico para evitar complicações e garantir margens adequadas.

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