MedEvo Simulado — Prova 2026
Enzo, um lactente de 14 meses de idade, é levado à emergência pediátrica com história de início súbito de crises de choro intenso e intermitente há cerca de 8 horas. A mãe relata que, durante as crises, o menino encolhe as pernas contra o abdome e parece muito pálido, ficando letárgico nos intervalos entre as dores. Ocorreram três episódios de vômitos inicialmente alimentares e, na última troca de fralda, observou-se a presença de fezes com aspecto de muco sanguinolento, semelhante a "geleia de morango". Ao exame físico, o paciente apresenta-se hidratado, com frequência cardíaca de 115 bpm. O abdome é depressível, sem sinais de irritação peritoneal, mas nota-se uma massa palpável de formato alongado em hipocôndrio direito. Diante da principal hipótese diagnóstica, a conduta mais adequada é:
Dor súbita + massa palpável + fezes em geleia de morango = Intussuscepção.
A intussuscepção é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes. O diagnóstico é por USG e o tratamento inicial preferencial é a redução não cirúrgica.
A intussuscepção intestinal ocorre quando um segmento do intestino (geralmente o íleo terminal) se invagina para dentro de um segmento adjacente (geralmente o cólon). É mais comum entre os 3 e 24 meses de idade. Na maioria dos casos pediátricos, a causa é idiopática, possivelmente relacionada à hiperplasia de placas de Peyer após infecções virais. A tríade clássica de dor abdominal paroxística, massa palpável e fezes sanguinolentas está presente em menos de 50% dos casos, exigindo alto índice de suspeição clínica.
O padrão-ouro para o diagnóstico de intussuscepção intestinal na pediatria é a ultrassonografia abdominal. Os achados clássicos incluem o 'sinal do alvo' ou 'sinal da rosquinha' em cortes transversais (representando as camadas da alça intestinal invaginada dentro da outra) e o 'sinal do pseudorrim' em cortes longitudinais. A USG tem sensibilidade e especificidade próximas a 100% nas mãos de examinadores experientes e ajuda a excluir outras causas de abdome agudo.
A redução por enema (pneumático ou hidrostático) é o tratamento de escolha para pacientes estáveis. No entanto, está contraindicada na presença de sinais de peritonite (abdome em tábua, descompressão dolorosa), evidência radiológica de perfuração intestinal (pneumoperitônio) ou choque hipovolêmico refratário. Nesses casos, a abordagem deve ser a laparotomia imediata, pois há alto risco de necrose intestinal e translocação bacteriana grave.
As fezes em 'geleia de morango' são compostas por muco e sangue. Elas ocorrem devido ao comprometimento do retorno venoso e linfático da alça intestinal invaginada (intussusceptum). O aumento da pressão hidrostática capilar leva ao edema da mucosa e extravasamento de sangue e muco para o lúmen intestinal. Embora seja um sinal clássico e altamente sugestivo, é frequentemente um achado tardio, e o diagnóstico deve ser buscado idealmente antes de sua manifestação.
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