AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Lactente com 7 meses de vida, história de quadro viral há uma semana, subitamente inicia com choro intenso, vários vômitos seguidos e presença de sangue pelo ânus. Qual o diagnóstico mais provável?
Choro paroxístico + vômitos + fezes em 'geleia de morango' → Intussuscepção intestinal.
A intussuscepção é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes, frequentemente precedida por infecções virais que causam hiperplasia de placas de Peyer.
A intussuscepção intestinal é uma emergência pediátrica onde um segmento do intestino (intussusceptum) se invagina para dentro de um segmento adjacente (intussuscipiens). A forma ileocólica é a mais comum. A fisiopatologia envolve o comprometimento do retorno venoso, levando a edema da mucosa, isquemia e eventual eliminação de muco e sangue, o que gera o aspecto clássico de 'geleia de morango'. O quadro clínico típico inicia-se com dor abdominal súbita e intermitente, onde a criança retrai os membros inferiores, intercalada com períodos de letargia. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a necrose intestinal e a necessidade de ressecção cirúrgica. O manejo conservador com enemas é altamente eficaz quando instituído nas primeiras horas do quadro.
A intussuscepção intestinal ocorre predominantemente em lactentes entre os 6 e 36 meses de vida. É a causa mais frequente de obstrução intestinal nessa faixa etária. Em crianças menores de 3 meses ou maiores de 5 anos, a probabilidade de uma causa anatômica subjacente (ponto de partida), como um divertículo de Meckel, pólipo ou linfoma, aumenta significativamente, exigindo uma investigação diagnóstica mais agressiva para descartar patologias secundárias.
O exame de escolha é a ultrassonografia abdominal, que apresenta alta sensibilidade e especificidade. Os achados clássicos incluem o 'sinal do alvo' ou 'sinal da rosquinha' em cortes transversais, e o 'sinal do pseudorrim' em cortes longitudinais, representando as camadas do intestino invaginado. Embora a radiografia simples possa mostrar sinais de obstrução ou o efeito de massa, ela não é sensível o suficiente para excluir o diagnóstico de forma definitiva.
Na ausência de sinais de peritonite ou perfuração intestinal, o tratamento inicial de escolha é a redução não cirúrgica, que pode ser realizada via enema hidrostático (com soro ou contraste) ou enema pneumático (com ar), sendo este último preferido em muitos centros devido à menor taxa de complicações e maior facilidade de execução. Se houver falha na redução ou sinais de sofrimento de alça, a intervenção cirúrgica torna-se mandatória.
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