Intussuscepção Intestinal: Diagnóstico e Manejo em Lactentes

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020

Enunciado

Uma criança de 5 meses de vida é encaminhada à emergência com quadro de dor abdominal em salvas, iniciado há seis horas. Durante o exame físico, a criança mostra-se ativa, com sinais vitais estáveis e abdome depressível, por enquanto sem dor. A mãe mostra fralda com presença de sangramento vermelho vivo com grumos. Considerando esse caso clínico, no que se refere ao provável diagnóstico e ao tratamento, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Pólipo juvenil: indica-se a ressecção por colonoscopia em razão do sangramento.
  2. B) Invaginação intestinal: indica-se cirurgia imediata em razão do sangramento.
  3. C) Intussuscepção: indicam-se início de antibioticoterapia, reidratação e enema opaco.
  4. D) Alergia a proteína do leite: indicam-se retirada de fórmula láctea e retirada de derivados de leite da dieta materna.
  5. E) Fissura anal: indica-se o uso de óleo mineral.

Pérola Clínica

Lactente com dor abdominal em salvas e sangramento com grumos ("geleia de framboesa") → Intussuscepção: iniciar ATB, reidratar e enema opaco.

Resumo-Chave

O quadro de dor abdominal em salvas, sangramento vermelho vivo com grumos (clássico "geleia de framboesa") em lactente de 5 meses é altamente sugestivo de intussuscepção intestinal. O tratamento inicial inclui estabilização (hidratação, antibioticoterapia) e tentativa de redução não cirúrgica com enema (ar ou contraste).

Contexto Educacional

A intussuscepção intestinal, ou invaginação intestinal, é uma emergência abdominal pediátrica caracterizada pela telescopagem de um segmento intestinal em outro adjacente, geralmente do íleo no cólon. É a causa mais comum de obstrução intestinal em crianças entre 3 meses e 3 anos de idade. A etiologia é frequentemente idiopática, mas pode ser secundária a pontos-guia como divertículo de Meckel, pólipos ou linfonodos hiperplásicos. A condição leva à obstrução, isquemia e, se não tratada, à necrose e perfuração intestinal. O quadro clínico clássico inclui dor abdominal súbita e intermitente (em salvas), que faz a criança chorar intensamente e depois se acalmar, vômitos (inicialmente alimentares, depois biliosos), e a eliminação de fezes com sangue e muco, descritas como "geleia de framboesa". Ao exame físico, pode-se palpar uma massa em forma de salsicha no abdome. O diagnóstico é frequentemente confirmado por ultrassonografia abdominal, que mostra o sinal do "alvo" ou "pseudorim". O tratamento inicial visa estabilizar o paciente com hidratação intravenosa e, em muitos casos, antibioticoterapia profilática devido ao risco de translocação bacteriana. A redução da intussuscepção é tentada primeiramente por métodos não cirúrgicos, como o enema hidrostático (com soro fisiológico ou contraste) ou pneumático (com ar), guiado por ultrassom ou fluoroscopia. Se a redução não for bem-sucedida, houver sinais de peritonite, perfuração ou instabilidade hemodinâmica, a cirurgia é indicada para desinvaginação manual ou ressecção do segmento intestinal afetado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da intussuscepção intestinal em crianças?

Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente (em salvas), vômitos, massa palpável em forma de salsicha no abdome e fezes com sangue e muco, descritas como 'geleia de framboesa'.

Qual o papel do enema opaco no manejo da intussuscepção?

O enema opaco (com ar ou contraste) é tanto diagnóstico quanto terapêutico. Ele confirma o diagnóstico ao mostrar a imagem em 'mola de relógio' e, em muitos casos, consegue reduzir a intussuscepção de forma não cirúrgica.

Quando a cirurgia é indicada para intussuscepção?

A cirurgia é indicada quando a redução não cirúrgica falha, há sinais de peritonite, perfuração intestinal, instabilidade hemodinâmica ou quando a intussuscepção é causada por um ponto-guia patológico (ex: divertículo de Meckel, pólipo).

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