HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025
Menino, de 4 meses de idade, é levado ao pronto atendimento por choro, irritabilidade e vômitos biliosos há um dia. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com desidratação leve. O abdome está distendido, timpânico, com ruídos hidroaéreos aumentados e irritabilidade à palpação abdominal difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Observa-se, na fralda, presença de pequena quantidade de fezes com sangue e muco. Realizou ultrassonografia de abdome, ilustrada a seguir: Qual é a principal hipótese diagnóstica para este paciente?
Lactente com dor abdominal intermitente, vômitos biliosos e fezes em "geleia de framboesa" → Intussuscepção intestinal.
A intussuscepção intestinal é uma emergência pediátrica caracterizada pela invaginação de um segmento intestinal em outro. A tríade clássica de dor abdominal intermitente, vômitos (frequentemente biliosos) e fezes com sangue e muco ("geleia de framboesa") é altamente sugestiva, especialmente em lactentes.
A intussuscepção intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes e crianças pequenas, geralmente ocorrendo entre 3 meses e 3 anos de idade. Caracteriza-se pela invaginação de um segmento do intestino (intussusceptum) em outro segmento adjacente (intussuscipiens), mais frequentemente na região ileocólica. A etiologia é idiopática na maioria dos casos pediátricos, mas pode ser secundária a um ponto de partida (ex: divertículo de Meckel, pólipo) em crianças mais velhas. O quadro clínico é marcado por dor abdominal súbita e intermitente, que se manifesta como episódios de choro intenso e irritabilidade, alternados com períodos de acalmia. Vômitos, inicialmente alimentares e depois biliosos, são comuns. Um sinal patognomônico, embora tardio, é a eliminação de fezes com sangue e muco, descritas como "geleia de framboesa", resultado da isquemia e descamação da mucosa intestinal. Ao exame físico, pode-se palpar uma massa abdominal em forma de "salsicha". O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia abdominal, que demonstra o clássico sinal do "alvo" ou "pseudorim". O tratamento inicial, na ausência de sinais de peritonite ou perfuração, é a desinvaginação não cirúrgica por enema hidrostático (com ar ou solução salina) guiado por ultrassom ou fluoroscopia. A falha na desinvaginação ou a presença de complicações exige intervenção cirúrgica. O reconhecimento e tratamento precoces são cruciais para prevenir complicações graves como necrose intestinal e perfuração.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente (choro intenso que cessa e retorna), vômitos (inicialmente alimentares, depois biliosos) e a eliminação de fezes com sangue e muco, descritas como "geleia de framboesa".
A ultrassonografia abdominal é o método de imagem de escolha, revelando o sinal do "alvo" ou "pseudorim" em corte transversal, que representa o intestino invaginado dentro do outro.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente (hidratação, analgesia) e tentativa de desinvaginação não cirúrgica, geralmente por enema hidrostático (ar ou contraste) guiado por ultrassom ou fluoroscopia, se não houver sinais de peritonite ou perfuração.
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