Intussuscepção Intestinal: Diagnóstico e Conduta no Lactente

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Enzo, um lactente de 10 meses de idade, previamente hígido, é levado à unidade de pronto atendimento com história de crises de choro súbito e inconsolável que se iniciaram há cerca de 14 horas. A mãe relata que, durante os episódios de dor, o bebê retrai as pernas contra o abdome e apresenta palidez cutânea, ficando muito sonolento e letárgico nos intervalos entre as crises. Nas últimas 4 horas, apresentou três episódios de vômitos, inicialmente alimentares e agora com aspecto bilioso. Ao exame físico, o paciente encontra-se desidratado (grau leve), com abdome discretamente distendido e presença de uma massa alongada, de consistência firme, palpável em flanco e hipocôndrio direitos. O toque retal revela a presença de muco discretamente sanguinolento (aspecto em geleia de morango). A ultrassonografia abdominal solicitada demonstrou uma imagem em 'alvo' (ou 'casca de cebola') no quadrante superior direito, confirmando a suspeita clínica. Após a estabilização hemodinâmica inicial com expansão volêmica, a conduta terapêutica mais adequada para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Prescrição de jejum oral, antibioticoterapia de amplo espectro e observação por 24 horas.
  2. B) Realização de enema opaco com bário para confirmação diagnóstica e tratamento definitivo.
  3. C) Redução não cirúrgica por enema pneumático ou hidrostático guiado por imagem.
  4. D) Laparotomia exploradora imediata para redução manual da alça invaginada.

Pérola Clínica

Dor abdominal paroxística + Massa palpável + Geleia de morango → Redução por Enema.

Resumo-Chave

A intussuscepção é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes; o tratamento inicial em pacientes estáveis é a redução não cirúrgica guiada por imagem.

Contexto Educacional

A intussuscepção intestinal ocorre tipicamente entre os 3 e 12 meses de idade, sendo a causa mais frequente de obstrução intestinal nessa faixa etária. Frequentemente é idiopática, mas pode estar associada a hiperplasia de placas de Peyer após infecções virais recentes. O diagnóstico precoce é crucial para evitar o comprometimento vascular da alça, isquemia e necrose. O ultrassom é o exame de escolha, apresentando o 'sinal do alvo' ou 'casca de cebola' com altíssima sensibilidade. O manejo conservador com enema pneumático ou hidrostático revolucionou o prognóstico, reduzindo drasticamente a necessidade de intervenções cirúrgicas mutilantes. Após a redução, o paciente deve ser observado para monitorar recorrências, que ocorrem em cerca de 10% dos casos, geralmente nas primeiras 24 horas.

Perguntas Frequentes

Qual é a tríade clássica da intussuscepção intestinal?

A tríade clássica consiste em dor abdominal paroxística (crises de choro súbito com retração de membros), massa abdominal palpável (geralmente em forma de salsicha no quadrante superior direito) e fezes em 'geleia de morango' (muco sanguinolento). No entanto, essa tríade completa está presente em menos de 50% dos casos. A letargia entre as crises de dor é um sinal clínico importante e frequentemente negligenciado que deve elevar a suspeita diagnóstica em lactentes, mesmo na ausência de vômitos ou sangue nas fezes.

Quais as contraindicações para a redução por enema?

As principais contraindicações para a redução não cirúrgica (seja pneumática ou hidrostática) incluem evidência de perfuração intestinal (presença de pneumoperitônio no raio-X de abdome), peritonite franca ao exame físico (abdome em tábua, descompressão dolorosa) ou instabilidade hemodinâmica refratária (choque). Nesses casos, a abordagem deve ser cirúrgica imediata (laparotomia ou laparoscopia) para redução manual e possível ressecção de alças necróticas ou inviáveis.

Como é realizada a redução pneumática e qual sua taxa de sucesso?

A redução pneumática envolve a insuflação controlada de ar através do reto sob monitorização fluoroscópica ou ultrassonográfica contínua. A pressão do ar empurra a alça invaginada (intussusceptum) de volta para sua posição anatômica original. A taxa de sucesso é alta, variando entre 80% e 95% em centros experientes. É considerada mais segura, limpa e rápida que a redução hidrostática com bário, apresentando menor risco de peritonite química grave em caso de perfuração acidental durante o procedimento.

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