AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2020
Paciente com 2 anos iniciou, há 1 semana, com erupção macular e rosada em nádegas e membros inferiores. Agora, iniciou com dor abdominal progressiva, náuseas, vômitos e presença de raias de sangue nas fezes. Essa recente apresentação clínica provavelmente seja resultante de:
Púrpura de Henoch-Schönlein + dor abdominal + sangramento GI = suspeitar intussuscepção.
A púrpura de Henoch-Schönlein (vasculite por IgA) é uma causa comum de intussuscepção em crianças, manifestando-se com dor abdominal intensa, vômitos e sangramento gastrointestinal, geralmente após o início das lesões cutâneas. A isquemia intestinal causada pela invaginação é a responsável pelos sintomas agudos.
A intussuscepção é uma emergência abdominal pediátrica caracterizada pela invaginação de um segmento intestinal em outro, sendo uma causa comum de obstrução intestinal em crianças pequenas. Embora a maioria seja idiopática, condições como a púrpura de Henoch-Schönlein (PHS) são fatores de risco importantes, especialmente em crianças maiores de 2 anos. A PHS, uma vasculite por IgA, causa inflamação da parede intestinal, que pode atuar como um ponto de partida para a invaginação. O diagnóstico da intussuscepção exige alta suspeição clínica, especialmente em pacientes com PHS que desenvolvem dor abdominal súbita e intensa, vômitos e sangramento gastrointestinal. A ultrassonografia abdominal é o método diagnóstico de escolha, revelando o clássico sinal do "alvo" ou "pseudorrim". A fisiopatologia envolve a isquemia e necrose do segmento intestinal invaginado se não tratada prontamente, levando a perfuração e peritonite. O tratamento inicial visa a estabilização do paciente e a redução da intussuscepção, preferencialmente por enema hidrostático ou pneumático guiado por imagem. Em casos de falha da redução não cirúrgica, sinais de peritonite ou perfuração, a intervenção cirúrgica é imperativa. O prognóstico é bom com diagnóstico e tratamento precoces, mas o atraso pode resultar em complicações graves e aumento da morbimortalidade.
Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, vômitos, fezes com sangue (geleia de framboesa) e massa palpável em salsicha no abdome, que se somam à erupção cutânea típica da púrpura.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, hidratação e solicitação de ultrassonografia abdominal para confirmação diagnóstica, seguida de redução por enema (hidrostático ou pneumático) ou cirurgia.
A dor abdominal da púrpura é geralmente difusa e menos intensa, enquanto na intussuscepção é intermitente, em cólica, progressiva e associada a vômitos biliosos e fezes com sangue, indicando obstrução e isquemia.
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