PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Homem de 50 anos, saudável, chega ao pronto-socorro com náuseas, vômitos e dor abdominal. Ele tem um histórico de um mês de dor abdominal crônica intermitente. Não tem histórico prévio de cirurgias abdominais e fez uma colonoscopia normal no início deste ano. Seus sinais vitais estão dentro dos limites normais. No exame, seu abdome está flácido e sem distensão, com leve sensibilidade abdominal difusa. Não há hérnias presentes. Seus exames laboratoriais não apresentam nada de especial. Ele passa por uma tomografia computadorizada abdominal que demonstra uma área de intussuscepção, no intestino delgado distal, com espessamento e calcificação do mesentério adjacente.\n\nQual é o próximo passo mais adequado no diagnóstico?
Intussuscepção em adultos → causa orgânica (malignidade/pólipo) em >90% → cirurgia/laparoscopia.
Diferente da população pediátrica, a intussuscepção no adulto quase sempre possui um 'lead point' patológico (frequentemente neoplásico), exigindo exploração cirúrgica para diagnóstico e tratamento definitivo.
A intussuscepção em adultos é uma entidade clínica rara, representando cerca de 5% de todas as intussuscepções e 1-5% das obstruções intestinais. O quadro clínico costuma ser subagudo ou crônico, com dor abdominal intermitente, o que pode retardar o diagnóstico. A presença de calcificações e espessamento mesentérico na TC sugere etiologias específicas, como tumores carcinoides ou linfonodopatias crônicas.\n\nA abordagem diagnóstica e terapêutica deve focar na alta probabilidade de lesão orgânica. A ressecção cirúrgica sem redução prévia é frequentemente recomendada quando há suspeita de malignidade, para evitar a disseminação de células tumorais ou perfuração de alças isquêmicas. A laparoscopia oferece uma via minimamente invasiva excelente para esses casos estáveis.
Na pediatria, a maioria dos casos é idiopática e responde à redução não cirúrgica (enema). No adulto, mais de 90% dos casos têm uma causa anatômica subjacente, como tumores benignos, malignos ou divertículo de Meckel, o que torna a exploração cirúrgica necessária para tratar a causa base e prevenir recorrências ou complicações isquêmicas.
A tomografia computadorizada é o padrão-ouro diagnóstico, revelando o sinal do 'alvo' ou 'pseudorrim', que representa as camadas do intestino invaginado (intussusceptum) dentro do segmento receptor (intussuscipiens), frequentemente acompanhado de gordura mesentérica e vasos.
A laparoscopia diagnóstica é preferível em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem distensão abdominal massiva, permitindo a identificação da lesão, avaliação de viabilidade intestinal e, em muitos casos, a ressecção definitiva com menor morbidade pós-operatória.
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