Trauma Pediátrico: Sedação e Intubação Segura

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 10 anos de idade dá entrada no PS após ter sido vítima de atropelamento. Glasgow de 6, sendo entubado imediatamente. Apresenta fratura exposta em MID, midríase bilateral, com reflexo fotomotor lento. Pediatra do PS entubou utilizando apenas Succinilcolina para sedação, MID foi imobilizado e solicitada vaga na UTI. Na entrada da UTI houve extubação acidental, pois o paciente começou a se agitar. Analisando a conduta, as críticas ao atendimento sugerem:

Alternativas

  1. A) Negligência com a analgesia, porém utilização adequada do bloqueador neuro muscular.
  2. B) Negligência com analgesia, pois a fratura sugere analgesia potente. Escolha inadequada de succinilcolina na possibilidade de hipertensão intracraniana e ação ultrarrápida, o que possibilitou extubação acidental.
  3. C) Escolha ideal para entubação, succinilcolina, tem ação ultrarrápida, porém deveria ser associado outro curare de ação mais longa, como o vecurônio, após a entubação para não haver risco de extubação no transporte para a UTI.
  4. D) Deveria ser associado à Succinilcolina um benzodiazepínico para sedação da dor e controle da hipertensão intracraniana.
  5. E) A Succinilcolina poderia ser feita, porém devendo ser associada à K etamina e à Morfina.

Pérola Clínica

Trauma cranioencefálico + Glasgow baixo → evitar succinilcolina (↑ PIC) e garantir sedoanalgesia contínua.

Resumo-Chave

Em pacientes pediátricos com trauma e suspeita de hipertensão intracraniana (Glasgow baixo, midríase), a succinilcolina é contraindicada devido ao risco de aumentar a pressão intracraniana e sua curta duração, que não garante sedação e relaxamento adequados para transporte ou procedimentos, elevando o risco de extubação acidental e agitação. A analgesia é crucial em fraturas expostas.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea em pacientes pediátricos vítimas de trauma grave é um desafio crítico na emergência, exigindo decisões rápidas e precisas. A intubação de sequência rápida (ISR) é frequentemente necessária, mas a escolha dos fármacos deve considerar as particularidades fisiológicas da criança e as lesões associadas, como o trauma cranioencefálico (TCE). A succinilcolina, um bloqueador neuromuscular despolarizante de ação ultrarrápida, é amplamente utilizada na ISR, mas possui contraindicações importantes que, se negligenciadas, podem agravar o quadro do paciente. Em casos de TCE grave, a succinilcolina pode causar um aumento transitório da pressão intracraniana (PIC), o que é deletério em um paciente já com Glasgow baixo e sinais de disfunção neurológica. Além disso, sua curta duração de ação (5-10 minutos) exige que a sedoanalgesia seja prontamente estabelecida após a intubação para evitar agitação, dor e extubação acidental, especialmente em pacientes com fraturas expostas que causam dor intensa. A negligência na analgesia e sedação adequadas pode levar a complicações graves, como aumento da PIC, hipóxia e lesão cerebral secundária. A preparação para provas de residência médica exige o conhecimento detalhado das indicações e contraindicações dos fármacos usados na emergência pediátrica. É fundamental que o médico saiba escolher o agente farmacológico mais seguro e eficaz, considerando o perfil do paciente e o tipo de trauma. A manutenção da sedação e analgesia após a intubação é tão importante quanto a própria intubação, garantindo a estabilidade do paciente durante o transporte e a permanência na UTI, prevenindo eventos adversos como a extubação acidental.

Perguntas Frequentes

Quais são as contraindicações da succinilcolina em trauma pediátrico?

A succinilcolina é contraindicada em trauma pediátrico com suspeita de hipertensão intracraniana (TCE grave), queimaduras extensas, lesões por esmagamento, hipercalemia preexistente e doenças neuromusculares, devido ao risco de hipercalemia e aumento da PIC.

Qual a conduta ideal para sedoanalgesia em intubação de trauma pediátrico?

A conduta ideal envolve o uso de um sedativo de ação rápida (ex: etomidato, quetamina) e um bloqueador neuromuscular não despolarizante de ação intermediária (ex: rocurônio, vecurônio), seguido de sedoanalgesia contínua para manter o paciente confortável e cooperativo.

Como prevenir a extubação acidental em pacientes pediátricos traumatizados?

A prevenção da extubação acidental inclui fixação adequada do tubo orotraqueal, sedoanalgesia contínua e profunda, monitorização constante e transporte cuidadoso, especialmente em pacientes com agitação ou Glasgow baixo.

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