Intubação na Asma Grave: Por que usar Ketamina?

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente masculino, 42 anos de idade, asmático grave, apresentou crise de asma refratária apesar de nebulização com ₿2-agonista de alta dose, corticosteroides intravenosos e oxigenoterapia. Referiu histórico de insuficiência cardíaca crônica com fração de ejeção 35%. Estava taquipneico, com uso intenso de musculatura acessória, saturação 88% em oxigênio suplementar e apresentava hipercapnia progressiva na gasometria arterial. Equipe de emergência decidiu realizar intubação orotraqueal de sequência rápida devido à falha da terapia medicamentosa e ao risco iminente de fadiga respiratória. Com base nesse caso clínico hipotético e considerando sedação e indução para intubação, assinale a opção que apresenta maior potência broncodilatadora e perfil mais seguro para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Propofol em dose de indução rápida, seguido de succinilcolina.
  2. B) Ptomidato em dose de indução rápida, seguido de rocurônio.
  3. C) Ketamina em dose de indução rápida, seguida de succinilcolina.
  4. D) Midazolam em dose de indução, seguido de vecurônio.
  5. E) Midazolam em dose de indução, seguido de fentanil.

Pérola Clínica

Ketamina = Indutor de escolha na asma grave por seu efeito broncodilatador direto e estabilidade hemodinâmica.

Resumo-Chave

A ketamina promove liberação de catecolaminas e relaxamento da musculatura lisa brônquica, sendo o agente ideal para indução em pacientes com broncoespasmo grave.

Contexto Educacional

A Intubação de Sequência Rápida (ISR) no paciente asmático é um procedimento de alto risco devido à hiperinsuflação dinâmica e ao risco de colapso circulatório após a pressão positiva. A escolha do agente indutor é crítica; a ketamina destaca-se como a droga de escolha por ser o único indutor com propriedades broncodilatadoras significativas, além de preservar o drive respiratório e a estabilidade hemodinâmica em doses habituais. Em pacientes com comorbidades cardíacas, como a insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, a ketamina oferece uma vantagem adicional ao evitar a depressão miocárdica profunda associada a agentes como o propofol ou altas doses de benzodiazepínicos. O manejo pós-intubação também é desafiador, exigindo estratégias de ventilação protetora com tempos expiratórios prolongados para evitar o auto-PEEP e o barotrauma.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo da broncodilatação pela ketamina?

A ketamina (ou cetamina) exerce seu efeito broncodilatador através de múltiplos mecanismos. Ela inibe a recaptação de catecolaminas endógenas, aumentando os níveis circulantes de adrenalina e noradrenalina, que atuam nos receptores beta-2 adrenérgicos promovendo relaxamento brônquico. Além disso, possui um efeito relaxante direto na musculatura lisa das vias aéreas e pode antagonizar receptores muscarínicos, reduzindo a constrição mediada pelo sistema parassimpático. Isso a torna superior a outros indutores como o etomidato ou midazolam em quadros de broncoespasmo severo.

Por que evitar o propofol em pacientes com IC e asma grave?

Embora o propofol também possua propriedades broncodilatadoras, ele é um potente depressor cardiovascular. Em pacientes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida (como o caso de 35%), o propofol pode causar hipotensão severa e colapso hemodinâmico durante a indução. A ketamina, por outro lado, tende a manter ou até elevar levemente a pressão arterial e a frequência cardíaca devido ao seu efeito simpaticomimético indireto, oferecendo um perfil de segurança hemodinâmica mais favorável para este perfil específico de paciente.

A succinilcolina é segura para intubação na asma?

Sim, a succinilcolina é frequentemente utilizada na Intubação de Sequência Rápida (ISR) em pacientes asmáticos devido ao seu rápido início de ação e curta duração. Embora existam discussões teóricas sobre a liberação de histamina pela succinilcolina, na prática clínica esse efeito é irrelevante frente à necessidade de garantir uma via aérea segura rapidamente. O uso de bloqueadores neuromusculares é essencial para facilitar a laringoscopia e evitar o aumento da pressão intratorácica durante a tentativa de intubação, o que poderia piorar o aprisionamento aéreo.

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