USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Homem, 71 anos de idade, foi admitido no serviço de emergência com quadro de dor e distensão abdominal e vômitos. Ao exame físico encontrava-se eupneico, com saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente e distensão abdominal. Realizada tomografia de abdome apresentada.Indicada laparotomia exploradora. Exames laboratoriais séricos revelam Hb: 9,7 g/dL; potássio: 2,9 mEq/L e sódio: 140 mEq/L; Cr: 1,9 mg/dL e U: 90 mg/dL.Qual é a melhor conduta no tratamento da via aérea para a anestesia geral?
Obstrução intestinal com vômitos e distensão abdominal → Intubação de sequência rápida para prevenir aspiração pulmonar.
Pacientes com obstrução intestinal e vômitos apresentam alto risco de aspiração pulmonar devido ao conteúdo gástrico aumentado. A intubação de sequência rápida é a técnica de escolha para garantir a proteção da via aérea, minimizando o tempo entre a indução e a intubação e prevenindo a regurgitação e aspiração.
Pacientes com obstrução intestinal, especialmente aqueles com dor, distensão abdominal e vômitos, são considerados de alto risco para aspiração pulmonar durante a indução anestésica. Isso ocorre devido ao aumento do volume e da pressão intragástrica, além da diminuição da competência do esfíncter esofágico inferior. A aspiração pulmonar é uma complicação grave, podendo levar a pneumonite química, pneumonia e síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). A melhor conduta para o tratamento da via aérea nesses pacientes é a intubação de sequência rápida (ISR). Esta técnica visa minimizar o tempo entre a perda da consciência e a proteção da via aérea com um tubo endotraqueal. Os passos incluem pré-oxigenação com oxigênio a 100% (para criar um reservatório de oxigênio e aumentar o tempo de apneia segura), administração de um agente indutor de ação rápida e um relaxante muscular de ação ultrarrápida (como succinilcolina ou rocurônio em dose alta), e a aplicação de pressão cricoide (manobra de Sellick) para ocluir o esôfago e prevenir a regurgitação. É crucial evitar a ventilação com máscara facial em pressão positiva antes da intubação, pois isso pode insuflar o estômago e agravar o risco de aspiração. A monitorização da capnografia é essencial após a intubação para confirmar o posicionamento do tubo e avaliar a ventilação. Além disso, a correção de distúrbios eletrolíticos, como a hipocalemia presente no caso, é importante no pré-operatório, embora a prioridade imediata seja a proteção da via aérea.
Pacientes com obstrução intestinal têm estômago cheio e risco aumentado de regurgitação e aspiração pulmonar. A sequência rápida minimiza o tempo de via aérea desprotegida, reduzindo esse risco.
Os componentes incluem pré-oxigenação com oxigênio a 100%, administração de sedativo e relaxante muscular de ação rápida, e aplicação de pressão cricoide (manobra de Sellick) até a confirmação da intubação.
A ventilação com máscara facial em pressão positiva pode insuflar o estômago, aumentando a pressão intragástrica e o risco de regurgitação e aspiração do conteúdo gástrico para as vias aéreas.
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