HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2025
Uma criança, sexo feminino, 5 anos de idade, deu entrada na sala de cirurgia para realização de cirurgia eletiva (correção de refluxo gastroesofágico) e foi submetida à anestesia geral. Após intubação orotraqueal, a saturação de oxigênio caiu para 83%. O anestesista solicitou rX de tórax, conforme demonstra a imagem.(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)A hipoxemia da criança foi causada por qual das situações a seguir?
Queda súbita de SpO2 pós-intubação em criança + RX tórax sugestivo → Intubação seletiva (brônquica).
A intubação seletiva, especialmente do brônquio principal direito, é uma causa comum e grave de hipoxemia súbita após a intubação orotraqueal em crianças. O diagnóstico é suspeitado clinicamente (assimetria na ausculta, dificuldade de ventilação) e confirmado por radiografia de tórax, que mostrará hiperinsuflação de um lado e/ou atelectasia do outro.
A intubação orotraqueal em pediatria é um procedimento crítico que, embora salvador, pode estar associado a complicações graves, como a hipoxemia. A intubação seletiva, ou intubação brônquica, é uma das causas mais frequentes de hipoxemia aguda pós-intubação em crianças, devido às particularidades anatômicas da via aérea pediátrica, como a traqueia mais curta e a proximidade da carina. O reconhecimento precoce e a correção imediata são vitais para prevenir danos hipóxicos cerebrais e cardíacos. A fisiopatologia da hipoxemia por intubação seletiva reside na ventilação de apenas um pulmão, enquanto o outro colaba (atelectasia), levando a um shunt intrapulmonar e comprometimento da troca gasosa. O diagnóstico é primeiramente clínico, com a ausculta pulmonar revelando assimetria do murmúrio vesicular. A capnografia pode indicar ventilação inadequada. A radiografia de tórax é o exame confirmatório, mostrando a ponta do tubo em um brônquio principal e sinais de hiperinsuflação ou atelectasia. A conduta imediata envolve a retração cuidadosa do tubo orotraqueal em pequenos incrementos, com reausculta e monitorização da saturação de oxigênio até que a ventilação bilateral seja restabelecida. A profundidade correta do tubo pode ser estimada por fórmulas baseadas na idade ou peso, mas a confirmação clínica e radiológica é sempre necessária. A prevenção inclui a escolha do tamanho adequado do tubo e a inserção cuidadosa, com atenção à ausculta e à capnografia desde o início do procedimento.
Os sinais incluem queda súbita da saturação de oxigênio, assimetria na ausculta pulmonar (murmúrio vesicular diminuído ou ausente em um lado), dificuldade de ventilação e, na radiografia de tórax, hiperinsuflação do pulmão intubado e/ou atelectasia do pulmão não ventilado.
A conduta inicial é retirar o tubo orotraqueal alguns centímetros, reauscultar o tórax bilateralmente e reavaliar a saturação de oxigênio. A confirmação da posição correta do tubo pode ser feita por capnografia e, se necessário, radiografia de tórax.
Em crianças, a traqueia é mais curta e o ângulo de bifurcação dos brônquios é menos acentuado do que em adultos, tornando mais fácil a intubação inadvertida de um dos brônquios principais, especialmente o direito, se o tubo for inserido muito profundamente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo