Intubação Seletiva: Diagnóstico e Manejo em Pediatria

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

Lactente de 10 meses de idade, com quadro de bronquiolite há 4 dias, apresentou piora da febre e há 2 dias necessitou de intubação. Radiografia de tórax evidenciou opacidade em base de hemitórax esquerdo, realizado o diagnóstico de pneumonia e introduzido antibioticoterapia. Puncionado acesso venoso central em veia subclávia esquerda. Hoje pela manhã, apresentou piora do padrão respiratório, com queda da saturação do oxigênio ao oxímetro para 85% e capnografia normal. Encontra-se corada, hidratada, febril. Cânula orotraqueal 4,0 com cuff, fixada em 16 cm no lábio superior com vapor exalado evidente. BRNF sem sopros com FC: 138 bpm. Expansibilidade torácica reduzida em hemitórax esquerdo. Percussão torácica com som claro pulmonar à direita e maciço à esquerda. Murmúrio vesicular presente à direita com sibilos e expiração prolongada; murmúrio vesicular abolido à esquerda. Abdome globoso, flácido, sem visceromegalias. Perfusão periférica 1,5 segundos. Pulsos presentes normais. A causa de descompensação ventilatória mais provável para este caso, dentre as abaixo, é

Alternativas

  1. A) derrame pleural.
  2. B) rolha na cânula traqueal.
  3. C) intubação seletiva.
  4. D) pneumotórax.

Pérola Clínica

Piora súbita em paciente intubado com MV abolido unilateralmente → Intubação seletiva ou pneumotórax.

Resumo-Chave

Em um paciente intubado com piora súbita do padrão respiratório e achados de exame físico unilaterais (MV abolido, macicez), a intubação seletiva (geralmente no brônquio principal direito devido à sua angulação) é uma causa comum, levando à atelectasia do pulmão não ventilado.

Contexto Educacional

A intubação seletiva é uma complicação comum da intubação orotraqueal, especialmente em pediatria, onde a traqueia é mais curta e a distância entre a carina e a ponta da cânula é menor. Ocorre quando a cânula avança demais e se aloja em um dos brônquios principais, geralmente o direito devido à sua angulação mais reta. Isso leva à ventilação de apenas um pulmão e à atelectasia do pulmão contralateral, resultando em hipoxemia e aumento do trabalho respiratório. O diagnóstico é baseado na piora súbita do paciente intubado, com achados de exame físico unilaterais: diminuição ou abolição do murmúrio vesicular em um hemitórax, expansibilidade torácica reduzida e macicez à percussão no lado não ventilado. A radiografia de tórax confirma o posicionamento da cânula e a presença de atelectasia. É crucial diferenciar de outras causas de descompensação, como pneumotórax (que cursa com hipertimpanismo) ou rolha na cânula (que afeta ambos os pulmões). O manejo da intubação seletiva envolve a retração cuidadosa da cânula orotraqueal em 1 a 2 cm, seguida de reavaliação da ausculta pulmonar bilateral e da saturação de oxigênio. A prevenção inclui a fixação adequada da cânula na profundidade correta (regra de 7 + idade em kg ou 12 + idade/2 para RN e lactentes, ou 3x o diâmetro interno da cânula) e a ausculta bilateral após a intubação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de intubação seletiva em um paciente intubado?

Os sinais clínicos incluem piora súbita do padrão respiratório, queda da saturação de oxigênio, assimetria da expansibilidade torácica, murmúrio vesicular abolido ou muito diminuído em um hemitórax e macicez à percussão no lado afetado (devido à atelectasia).

Como diferenciar intubação seletiva de pneumotórax em um paciente intubado?

A intubação seletiva causa macicez à percussão no lado não ventilado (atelectasia), enquanto o pneumotórax geralmente causa hipertimpanismo à percussão no lado afetado. Ambos podem ter MV abolido unilateralmente.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de intubação seletiva?

A conduta inicial é tracionar a cânula orotraqueal em 1-2 cm, reavaliar a ausculta pulmonar bilateralmente e a saturação de oxigênio. A confirmação pode ser feita por radiografia de tórax ou capnografia.

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