Intubação no Trauma: Fármacos e Recomendações ATLS 11ª Edição

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Durante o atendimento inicial de um paciente politraumatizado em choque hemorrágico, com rebaixamento do nível de consciência e necessidade de controle imediato da via aérea, a equipe decide realizar intubação orotraqueal sob sequência rápida induzida por drogas. Considerando as recomendações da 11" edição do ATLS (2023), assinale a alternativa CORRETA em relação à escolha de fármacos para indução neste cenário.

Alternativas

  1. A) A quetamina é considerada uma droga adequada em pacientes com choque, pois mantém a pressão arterial e a perfusão tecidual, além de proporcionar broncodilatação.
  2. B) O etomidato deve ser evitado em pacientes em choque por aumentar o risco de instabilidade hemodinâmica significativa.
  3. C) O midazolam é preferido na sequência rápida de intubação no trauma devido à sua ação ansiolitica e estabilidade cardiovascular.
  4. D) O propofol é a melhor opção para pacientes com TCE e instabilidade hemodinâmica, pois reduz a pressão intracraniana sem comprometer o débito cardíaco.
  5. E) A succinilcolina está contraindicada em todos os pacientes com trauma, independentemente do tempo de evolução, devido ao risco de hiperpotassemia.

Pérola Clínica

Intubação trauma + choque → Quetamina = Mantém PA, perfusão tecidual, broncodilatação; preferível em instabilidade hemodinâmica.

Resumo-Chave

Em pacientes politraumatizados com choque hemorrágico e necessidade de intubação orotraqueal, a quetamina é a droga de escolha para indução. Ela mantém a estabilidade hemodinâmica, a pressão arterial e a perfusão tecidual, além de ter efeito broncodilatador, sendo superior a outros agentes que podem causar hipotensão.

Contexto Educacional

A intubação orotraqueal em pacientes politraumatizados, especialmente aqueles em choque hemorrágico e com rebaixamento do nível de consciência, é um procedimento crítico que exige uma escolha cuidadosa dos fármacos de indução. O objetivo principal é garantir o controle da via aérea e a oxigenação, minimizando o risco de instabilidade hemodinâmica adicional, que pode ser fatal em um paciente já comprometido. A 11ª edição do ATLS (Advanced Trauma Life Support) enfatiza a importância de agentes que preservem a pressão arterial e a perfusão cerebral. Nesse contexto, a quetamina se destaca como a droga de escolha. Ela atua como um anestésico dissociativo, mantendo o tônus simpático e, consequentemente, a pressão arterial e o débito cardíaco, além de possuir propriedades broncodilatadoras. Outros agentes, como o propofol, podem causar hipotensão significativa, enquanto o etomidato, embora hemodinamicamente mais estável que o propofol, pode induzir supressão adrenal. A succinilcolina, um relaxante muscular despolarizante, é frequentemente utilizada para paralisia rápida devido ao seu rápido início e curta duração de ação. No entanto, sua contraindicação em trauma com risco de hiperpotassemia (como em lesões por esmagamento ou queimaduras extensas com mais de 24-48 horas de evolução) deve ser sempre considerada, optando-se por relaxantes não despolarizantes como o rocurônio nesses casos. A escolha do fármaco deve ser individualizada, considerando o estado clínico do paciente e as comorbidades.

Perguntas Frequentes

Qual a droga de indução preferida para intubação no trauma com choque?

A quetamina é preferida devido à sua capacidade de manter a pressão arterial e a perfusão tecidual.

Por que o etomidato deve ser usado com cautela em pacientes em choque?

Embora tenha um perfil hemodinâmico relativamente estável, pode causar supressão adrenal e, em pacientes instáveis, pode precipitar hipotensão.

Quais são as vantagens da quetamina na intubação de pacientes traumatizados?

Mantém a estabilidade hemodinâmica, tem efeito analgésico e broncodilatador, sendo ideal para pacientes com choque ou broncoespasmo.

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