UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2023
Mulher, 29 anos, foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros de um prédio em chamas após ficar presa por alguns minutos no cômodo que pegou fogo. Ao chegar na emergência, a paciente apresenta-se acordada, mas confusa e desorientada. Verbaliza com voz rouca e apresenta tosse com escarro carbonáceo. São observadas queimaduras nas mãos, na face, no pescoço, e vibrissas nasais chamuscadas. Nesse caso, qual conduta deve ser tomada?
Queimadura de via aérea com sinais de alarme (rouquidão, escarro carbonáceo, vibrissas chamuscadas) → Intubação orotraqueal precoce.
A intubação orotraqueal precoce é crucial em pacientes com suspeita de lesão inalatória, mesmo sem hipóxia inicial. O edema de via aérea pode progredir rapidamente nas primeiras horas, dificultando a intubação posterior e aumentando o risco de obstrução fatal.
A lesão por inalação de fumaça é uma complicação grave em vítimas de queimaduras, responsável por uma parcela significativa da morbimortalidade. É crucial reconhecer os sinais de alarme precocemente, pois a via aérea pode se deteriorar rapidamente, mesmo na ausência de hipóxia inicial. A história de confinamento em ambiente fechado, queimaduras faciais, rouquidão, tosse com escarro carbonáceo e vibrissas nasais chamuscadas são indicativos de lesão inalatória. A fisiopatologia envolve a inalação de gases tóxicos e partículas quentes, causando inflamação, edema e necrose da mucosa respiratória. O edema da via aérea superior pode levar à obstrução completa, enquanto a lesão pulmonar distal pode resultar em broncoespasmo, disfunção mucociliar e SDRA. O diagnóstico é clínico, mas a broncoscopia pode confirmar a extensão da lesão. A conduta primordial é a intubação orotraqueal precoce, antes que o edema se torne grave e impossibilite o procedimento. A oxigenoterapia com FiO2 100% é indicada para todos os pacientes com suspeita de lesão inalatória. A reposição volêmica deve ser cuidadosa para evitar sobrecarga e piora do edema pulmonar. O manejo deve ser multidisciplinar, com monitorização contínua da via aérea e função respiratória.
Os sinais de alarme incluem rouquidão, tosse com escarro carbonáceo, vibrissas nasais chamuscadas, queimaduras faciais ou cervicais e história de confinamento em ambiente com fumaça.
O edema da via aérea superior pode progredir rapidamente nas primeiras 6-24 horas pós-queimadura, tornando a intubação tardia extremamente difícil e com alto risco de obstrução completa e falha do procedimento.
As complicações incluem obstrução de via aérea, insuficiência respiratória aguda, pneumonia, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e intoxicação por monóxido de carbono ou cianeto.
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