Intubação Pediátrica: Lâmina, Cânula e Posicionamento

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente do sexo masculino de 2 anos de idade, internado na emergência do pronto-socorro com quadro de choque séptico de foco pulmonar. O paciente evolui com insuficiência respiratória aguda e rebaixamento do nível de consciência, sendo indicada a intubação orotraqueal.Considerando um profissional experiente em intubações pediátricas e de pacientes adultos, assinale a alternativa que indica o tipo de lâmina (do laringoscópio) preferencial, seu posicionamento para visualização da glote e o tamanho da cânula orotraqueal sem cuff indicada para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Lâmina Miller (reta), posicionada sobre a epiglote; cânula orotraqueal número 4,5, fixada em 13,5.
  2. B) Lâmina Macintosh (curva), posicionada na valécula; cânula orotraqueal número 4,5, fixada em 9,0.
  3. C) Lâmina Miller (reta), posicionada na valécula; cânula orotraqueal número 3,0, fixada em 9,0.
  4. D) Lâmina Macintosh (curva), posicionada sobre a epiglote; cânula orotraqueal número 3,0, fixada em 6,0.
  5. E) Lâmina Miller (reta), posicionada na valécula; cânula orotraqueal número 6,0, fixada em 12,0.

Pérola Clínica

IOT em lactentes: Lâmina Miller (reta) sobre a epiglote. Cânula sem cuff = (idade/4) + 4.

Resumo-Chave

Em crianças pequenas (<8 anos), a lâmina reta (Miller) é preferencial pois a epiglote é mais longa e flácida, sendo melhor levantada diretamente. O tamanho da cânula sem cuff é calculado pela fórmula (idade em anos/4) + 4.

Contexto Educacional

A intubação orotraqueal em pediatria é um procedimento crítico que exige conhecimento anatômico e técnico específico devido às particularidades da via aérea infantil. Crianças, especialmente lactentes, possuem uma língua proporcionalmente maior, epiglote mais longa e flácida, e laringe mais anterior e cefálica, tornando a visualização da glote mais desafiadora. A escolha correta do equipamento e a técnica adequada são fundamentais para o sucesso e a segurança do procedimento. Para lactentes e crianças pequenas (geralmente até 8 anos), a lâmina reta (Miller) é a preferencial. Ela é inserida sob a epiglote, levantando-a diretamente para expor as cordas vocais. Em contraste, a lâmina curva (Macintosh) é posicionada na valécula (espaço entre a base da língua e a epiglote), levantando a epiglote indiretamente, sendo mais utilizada em crianças maiores e adultos. O tamanho da cânula orotraqueal sem cuff é determinado pela fórmula (idade em anos / 4) + 4, e a profundidade de inserção (fixação) é estimada por (idade em anos / 2) + 12. O manejo da via aérea em situações de emergência pediátrica, como choque séptico, é primordial para garantir a oxigenação e ventilação adequadas. A preparação cuidadosa, incluindo a escolha do equipamento correto e a presença de um profissional experiente, minimiza riscos e melhora o prognóstico. É crucial estar preparado para possíveis complicações como bradicardia, hipóxia e trauma de via aérea.

Perguntas Frequentes

Por que a lâmina Miller é preferida em lactentes?

A lâmina Miller (reta) é preferida em lactentes e crianças pequenas porque a epiglote é mais longa e flácida. A lâmina reta consegue levantá-la diretamente, expondo melhor as cordas vocais, ao contrário da lâmina curva que atua na valécula.

Como calcular o tamanho da cânula orotraqueal sem cuff para crianças?

O tamanho da cânula sem cuff pode ser calculado pela fórmula (idade em anos / 4) + 4. Para o paciente de 2 anos, seria (2/4) + 4 = 0,5 + 4 = 4,5.

Qual o ponto de fixação da cânula orotraqueal em crianças?

O ponto de fixação da cânula orotraqueal pode ser estimado pela fórmula (idade em anos / 2) + 12. Para o paciente de 2 anos, seria (2/2) + 12 = 1 + 12 = 13 cm. A confirmação radiográfica é sempre recomendada.

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