Intubação Pediátrica: Cálculo do Tubo e Particularidades Anatômicas

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Criança de 6 anos, vítima de acidente automobilístico, dá entrada em PS trazida por familiares, consciente, chorosa, com dificuldade para respirar, taquidispneica, PA estável, taquicárdica, com saturação de O2 baixa, escoriação em hemitórax direito, sem sangramento ativo. A equipe de plantonistas prestou atendimento seguindo as etapas do ATLS e foi constatada presença de pneumotórax simples. Após drenagem torácica, houve melhora do quadro respiratório. Supondo que essa criança tivesse tido um traumatismo cranioencefálico associado ao trauma torácico e que o nível de consciência dela estivesse se deteriorando, a intubação orotraqueal se faria necessária. Assinale a alternativa que descreve especificidades da criança que devem ser observadas para realizar esse procedimento.

Alternativas

  1. A) O tamanho do tubo endotraqueal adequado pode ser estimado como equivalente ao diâmetro do terceiro dígito da criança.
  2. B) O limiar para a intubação endotraqueal, especialmente após sedação excessiva, deve ser alto.
  3. C) A traqueia na criança é mais curta e proporcionalmente mais estreita, enquanto a laringe é mais posterior e mais caudal em relação à do adulto.
  4. D) A epiglote da criança é mais maleável, em forma de “U” ou “V”, e o ângulo da mandíbula é menor que no adulto.
  5. E) O diâmetro interior do tubo endotraqueal pode ser calculado pela idade do paciente (em anos) dividida por 4 mais 4.

Pérola Clínica

Tubo orotraqueal sem balonete (crianças >1 ano) = (Idade/4) + 4.

Resumo-Chave

A anatomia pediátrica exige tubos menores e técnica específica devido à laringe mais anterior/cefálica e epiglote em 'U'.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea em pediatria no contexto do trauma (ATLS) exige rapidez e precisão. A escolha do tubo endotraqueal é crítica; tubos muito grandes podem causar estenose subglótica, enquanto tubos muito pequenos dificultam a ventilação e oxigenação. Além da fórmula da idade, o diâmetro do quinto dedo (mínimo) da criança pode ser usado como uma estimativa rápida à beira do leito. Diferente do adulto, a laringe pediátrica é mais cefálica e anterior, o que muitas vezes requer o uso de lâminas de laringoscópio retas (Miller) para melhor visualização da glote ao elevar a epiglote.

Perguntas Frequentes

Como calcular o tamanho do tubo com balonete (cuffed)?

Para tubos com balonete em crianças acima de 2 anos, a fórmula recomendada pelo PALS é (Idade em anos / 4) + 3,5. O uso de tubos com balonete tem se tornado mais comum na pediatria moderna devido à melhor vedação e monitorização da ventilação, desde que a pressão do balonete seja monitorada (< 20 cmH2O).

Quais as principais diferenças anatômicas da via aérea da criança?

A criança possui a língua proporcionalmente maior, laringe mais alta (C3-C4) e mais anterior, epiglote longa, estreita e em forma de 'U' ou 'V', e a parte mais estreita da via aérea é a cartilagem cricoide (em menores de 8 anos), conferindo um formato afunilado à laringe.

Como estimar a profundidade de inserção do tubo na pediatria?

Uma regra prática para a profundidade de inserção (em cm) do tubo orotraqueal é multiplicar o diâmetro interno do tubo por 3 (ex: tubo 4.0 inserido a 12 cm na rima labial) ou utilizar a fórmula: (Idade/2) + 12.

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