Trauma Pediátrico: Indicação de Intubação Orotraqueal Urgente

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Criança de dois anos, vítima de acidente automobilístico, não estava na cadeira de segurança, chegou ao hospital com abertura ocular e flexão de membros após estímulo doloroso, alternando irritação e sonolência. Criança chegou ao hospital com colar cervical e acesso venoso periférico. Sinais vitais de admissão: FR = 50 irpm, FC = 120 bpm e PA = 80 x 50 mmHg. Baseada na avaliação inicial desta paciente, que procedimento deve ser imediatamente realizado?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia abdominal total.
  2. B) Intubação orotraqueal.
  3. C) Acesso venoso profundo.
  4. D) Tomografia de crânio.
  5. E) Analgesia.

Pérola Clínica

Criança traumatizada com Glasgow < 8 (ou 9) e sinais de insuficiência respiratória/choque → Intubação orotraqueal para proteção de via aérea e ventilação.

Resumo-Chave

A criança apresenta rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 7: O2, V2, M3), taquipneia (FR 50) e instabilidade hemodinâmica (PA 80x50). Um Glasgow < 8-9 em trauma pediátrico é indicação de intubação orotraqueal para proteção da via aérea, otimização da ventilação e oxigenação, e controle da pressão intracraniana.

Contexto Educacional

O trauma pediátrico é uma emergência médica que exige uma abordagem rápida e sistemática, seguindo os princípios do ATLS adaptados para a pediatria. A avaliação inicial foca na identificação e tratamento das condições que ameaçam a vida, começando pela via aérea e respiração. Crianças são particularmente vulneráveis a lesões traumáticas devido às suas características anatômicas e fisiológicas. No caso apresentado, a criança de dois anos, vítima de acidente automobilístico, exibe um quadro grave com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 7, calculado como Ocular 2 - à dor, Verbal 2 - sons incompreensíveis/irritação, Motora 3 - flexão anormal à dor), taquipneia (FR 50 irpm) e sinais de choque (PA 80x50 mmHg, FC 120 bpm). Um Glasgow inferior a 8 ou 9 em pacientes traumatizados, especialmente em crianças, é uma indicação clara para intubação orotraqueal. A intubação orotraqueal é crucial neste momento para proteger a via aérea de aspiração, garantir ventilação e oxigenação adequadas, e permitir o controle da pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2), que é fundamental no manejo do trauma cranioencefálico para evitar o aumento da pressão intracraniana. Embora o choque hipovolêmico também seja uma preocupação (PA 80x50 mmHg), a proteção da via aérea e a ventilação são prioridades absolutas para a sobrevivência e para otimizar a perfusão cerebral e sistêmica.

Perguntas Frequentes

Como calcular o Glasgow em uma criança de 2 anos?

Para uma criança de 2 anos, a Escala de Coma de Glasgow modificada para pediatria é utilizada. Neste caso, abertura ocular ao estímulo doloroso (2), sons incompreensíveis/irritação (2), flexão anormal (3), totalizando 7.

Por que a intubação orotraqueal é prioritária neste cenário?

A intubação é prioritária devido ao rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 7), que compromete a proteção da via aérea, e à taquipneia (FR 50), indicando esforço respiratório. A intubação garante a patência da via aérea, ventilação e oxigenação adequadas, e é crucial para o manejo do trauma cranioencefálico.

Quais são os riscos de não intubar uma criança com Glasgow baixo no trauma?

Não intubar uma criança com Glasgow baixo no trauma aumenta o risco de aspiração pulmonar de conteúdo gástrico, hipóxia cerebral devido à ventilação inadequada, hipercapnia que pode elevar a pressão intracraniana, e dificuldade no transporte e realização de exames complementares.

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