Intubação Orotraqueal: Indicação no Coma e Trauma

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Paciente deu entrada na sala de emergência trazido por corpo de bombeiros, foi encontrado desacordado na beira de um morro, bastante alcoolizado e sujo. Não se sabe se caiu de altura ou não. Exame físico demonstra Glasgow de 8, hálito etílico intenso, pupilas anisocóricas, dificuldade respiratória com FR de 40 i/min. Qual das alternativas abaixo parece MAIS adequada?

Alternativas

  1. A) Inicialmente, fazer exame de glicemia capilar e repor glicose para tentar evitar entubar.
  2. B) Indicada manejo de via aérea pelo estado de coma, independente de estar alcoolizado ou não.
  3. C) Somente indicar manejo de via aérea caso não melhore após tratamento.
  4. D) O fato de estar anisocórico indica manejo de via aérea pelo TCE.

Pérola Clínica

Glasgow ≤ 8 ou via aérea não protegida → Intubação orotraqueal imediata.

Resumo-Chave

Um paciente com Glasgow ≤ 8 está em coma e tem risco elevado de aspiração e obstrução de via aérea, independentemente da causa (intoxicação alcoólica, TCE, etc.). A intubação orotraqueal é mandatória para proteger a via aérea e garantir ventilação adequada, prevenindo complicações graves.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea é a prioridade 'A' no atendimento a pacientes traumatizados ou com rebaixamento do nível de consciência, conforme preconizado pelo ATLS. Pacientes com Escala de Coma de Glasgow (ECG) igual ou inferior a 8 são considerados em coma e incapazes de proteger suas vias aéreas, apresentando alto risco de aspiração e obstrução. A etiologia do coma (trauma cranioencefálico, intoxicação, hipoglicemia, etc.) não altera a necessidade de proteção da via aérea. A fisiopatologia do rebaixamento do nível de consciência compromete os reflexos protetores da via aérea, como tosse e reflexo de vômito, além de poder levar à queda da base da língua e obstrução. A anisocoria, embora possa indicar lesão cerebral (TCE), não é o único fator determinante para a intubação; o Glasgow é o principal. A taquipneia (FR 40 i/min) indica dificuldade respiratória e necessidade de suporte ventilatório. A intubação orotraqueal imediata é a conduta mais adequada para garantir a permeabilidade da via aérea, prevenir aspiração, otimizar a oxigenação e ventilação, e permitir o controle da PaCO2, que é crucial em casos de TCE. A reposição de glicose é importante para hipoglicemia, mas não substitui a proteção da via aérea em um paciente com Glasgow 8.

Perguntas Frequentes

Qual o principal critério para intubação orotraqueal em pacientes com rebaixamento de nível de consciência?

O principal critério é um escore na Escala de Coma de Glasgow (ECG) igual ou inferior a 8, indicando coma e incapacidade de proteger a via aérea, com alto risco de aspiração e obstrução.

A intoxicação alcoólica altera a indicação de intubação?

Não. A intoxicação alcoólica pode causar rebaixamento do nível de consciência, mas se o paciente atingir um Glasgow ≤ 8, a intubação é indicada para proteger a via aérea, independentemente da etiologia do coma.

Quais são os riscos de não intubar um paciente com Glasgow ≤ 8?

Os principais riscos são aspiração de conteúdo gástrico para os pulmões, obstrução da via aérea pela língua ou secreções, hipoxemia e hipercapnia, que podem levar a lesão cerebral secundária e outras complicações graves.

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