Intubação Orotraqueal no Trauma: Técnicas e Cuidados

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Com relação ao processo de intubação orotraqueal no paciente traumatizado, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A pressão na cricoide durante a intubação endotraqueal aumenta a visão da laringe e pode reduzir o risco de aspiração.
  2. B) Se um paciente com trauma cranioencefálico e facial estiver em apneia, está indicada a intubação naso- traqueal, pela maior facilidade técnica.
  3. C) A manipulação laríngea BURP na cartilagem tireoide pode ajudar a visualizar as cordas vocais.
  4. D) Na intubação orotraqueal ou nasotraqueal, o médico pode realizar uma hiperextensão cervical para facilitar a intubação, permitindo oxigenação rápida e efetiva ao paciente.
  5. E) Na suspeita de fratura de coluna cervical, deve-se obter estudo de imagem (raio X ou tomografia) antes de proceder à intubação orotraqueal do paciente, para evitar sequelas neurológicas.

Pérola Clínica

Manobra BURP (Backward-Upward-Rightward Pressure) na cartilagem tireoide → melhora visualização das cordas vocais na IOT.

Resumo-Chave

A manobra BURP é uma técnica de manipulação laríngea externa que, ao aplicar pressão posterior, superior e para a direita na cartilagem tireoide, reposiciona a laringe e melhora significativamente a visão das cordas vocais durante a laringoscopia, facilitando a intubação orotraqueal, especialmente em casos de via aérea difícil.

Contexto Educacional

A intubação orotraqueal (IOT) é um procedimento crítico no manejo do paciente traumatizado, frequentemente necessária para garantir a permeabilidade das vias aéreas, oxigenação e ventilação adequadas. A abordagem da via aérea em trauma exige rapidez e técnica apurada, considerando as particularidades do paciente, como a possível presença de lesões cervicais ou faciais. A escolha da técnica e das manobras auxiliares é fundamental para o sucesso do procedimento e para evitar complicações. Dentre as técnicas auxiliares, a manobra BURP (Backward-Upward-Rightward Pressure) é amplamente utilizada para melhorar a visualização das cordas vocais durante a laringoscopia. Ao aplicar pressão na cartilagem tireoide, a laringe é reposicionada, facilitando a identificação das estruturas anatômicas e a passagem do tubo. É importante diferenciar a BURP da manobra de Sellick (pressão cricoide), que tem como objetivo ocluir o esôfago para prevenir aspiração, mas que pode dificultar a visualização da laringe. No contexto do trauma, a suspeita de fratura de coluna cervical impõe a necessidade de manter a imobilização cervical em linha durante todo o procedimento de intubação, evitando qualquer movimento de hiperextensão, flexão ou rotação do pescoço. A intubação nasotraqueal, embora possa parecer uma alternativa, é contraindicada em trauma facial significativo ou suspeita de fratura de base de crânio devido ao risco de lesão cerebral. O treinamento contínuo e o conhecimento aprofundado dessas técnicas e precauções são indispensáveis para residentes que atuam em emergências e terapia intensiva.

Perguntas Frequentes

O que é a manobra BURP e qual sua finalidade na intubação?

A manobra BURP (Backward-Upward-Rightward Pressure) é uma técnica de manipulação laríngea externa aplicada na cartilagem tireoide para reposicionar a laringe, melhorando a visualização das cordas vocais durante a laringoscopia e facilitando a passagem do tubo endotraqueal.

Qual a diferença entre a manobra de Sellick e a manobra BURP?

A manobra de Sellick (pressão cricoide) tem como objetivo ocluir o esôfago para prevenir a regurgitação e aspiração de conteúdo gástrico. A manobra BURP, por outro lado, visa otimizar a visão da laringe e das cordas vocais, sem ocluir o esôfago.

Como proceder na intubação de um paciente com suspeita de fratura de coluna cervical?

Em pacientes com suspeita de fratura de coluna cervical, a intubação deve ser realizada com imobilização cervical em linha (manual in-line stabilization - MILS), evitando hiperextensão ou rotação do pescoço. A intubação nasotraqueal é geralmente contraindicada em trauma facial ou cranioencefálico grave.

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