Trauma Grave: Intubação Orotraqueal em Pacientes com Glasgow 3

PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 22 anos, masculino, motociclista vítima de colisão com auto em rodovia, foi projetado à distância, observou-se fratura do capacete e hematoma bipalpebral, presença de otorragia. Foi trazido pelo Corpo de Bombeiros com ventilação em máscara de O2. Ao exame observado ventilação espontânea com frequência respiratória de 5 a 6 incursões por minuto, saturação de oxigênio 70%, PA 80 x 40 mmHg, FC = 118 bpm, Glasgow 3. A respiração é ruidosa e paciente está em uso de colar cervical e prancha rígida. Ao exame da cavidade oral observam-se fraturas dentárias e presença de sangue com coágulos. Quanto ao manejo da via aérea, qual deve ser a conduta preferencial?

Alternativas

  1. A) Aspiração do conteúdo oral e manter a ventilação não invasiva
  2. B) Intubação orotraquea
  3. C) Cricotireoidostomia
  4. D) Traqueostomia

Pérola Clínica

Trauma grave + Glasgow 3 + FR 5-6 + SatO2 70% + via aérea ruidosa/obstruída → Intubação orotraqueal imediata para via aérea definitiva.

Resumo-Chave

Um paciente com trauma grave, Glasgow 3, hipóxia severa (SatO2 70%), bradipneia (FR 5-6) e via aérea ruidosa/obstruída por sangue e fraturas dentárias necessita de uma via aérea definitiva e controle ventilatório. A intubação orotraqueal é a conduta preferencial para proteger a via aérea e garantir oxigenação e ventilação adequadas.

Contexto Educacional

Pacientes vítimas de trauma de alta energia, como acidentes de motocicleta, frequentemente apresentam lesões múltiplas e graves. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a via aérea (A), respiração (B) e circulação (C). Um paciente com Glasgow 3, bradipneia severa (FR 5-6), hipóxia (SatO2 70%) e sinais de trauma cranioencefálico (hematoma bipalpebral, otorragia, fratura de capacete) e maxilofacial (fraturas dentárias, sangue na boca) tem uma via aérea gravemente comprometida e necessita de intervenção imediata. A intubação orotraqueal (IOT) é a conduta preferencial e definitiva para garantir uma via aérea pérvia, proteger contra aspiração e permitir ventilação e oxigenação adequadas. Um Glasgow ≤ 8 é uma indicação clássica para IOT devido à incapacidade do paciente de proteger sua própria via aérea. A presença de sangue e fragmentos dentários na cavidade oral reforça a necessidade de controle da via aérea e aspiração. Embora a cricotireoidostomia ou traqueostomia sejam opções para via aérea cirúrgica, elas são reservadas para situações de falha na IOT ou contraindicações absolutas à IOT (como trauma laríngeo grave com distorção anatômica). Neste cenário, a IOT, realizada com técnica de sequência rápida e proteção cervical, é a primeira e mais apropriada escolha para estabilizar o paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações para intubação orotraqueal em pacientes traumatizados?

As principais indicações incluem Glasgow ≤ 8, hipóxia refratária, hipercapnia, incapacidade de proteger a via aérea (sangue, vômito), trauma maxilofacial grave, ou necessidade de ventilação mecânica.

Por que o Glasgow 3 é uma indicação crítica para intubação?

Um Glasgow de 3 indica coma profundo e incapacidade total de proteger a via aérea, com alto risco de aspiração e ventilação inadequada, tornando a intubação orotraqueal essencial para garantir a oxigenação e ventilação.

Como a presença de fraturas dentárias e sangue na cavidade oral afeta o manejo da via aérea?

Fraturas dentárias e sangue podem obstruir a via aérea e dificultar a visualização durante a laringoscopia. A aspiração cuidadosa é necessária antes da intubação, e a possibilidade de via aérea difícil deve ser antecipada.

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