CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Em qual das situações abaixo, a introflexão escleral está melhor indicada como monoterapia?
Descolamento regmatogênico + roturas periféricas sem PVR → Introflexão escleral.
A introflexão escleral (scleral buckling) é a técnica de escolha para descolamentos regmatogênicos primários com roturas periféricas visíveis, agindo pela redução da tração vítrea.
A técnica de introflexão escleral (scleral buckling) baseia-se na colocação de um implante de silicone (exponja ou banda) fixado à esclera. Este implante cria uma indentação para dentro, que tem três objetivos principais: fechar a rotura retiniana ao aproximar o EPR, reduzir a tração vitreorretiniana e alterar a dinâmica do fluxo de fluido sub-retiniano. Para que a técnica seja bem-sucedida como monoterapia, o cirurgião deve ser capaz de localizar todas as roturas através da oftalmoscopia indireta com depressão escleral. Casos com hemorragia vítrea (que impede a visualização), roturas muito posteriores ou tração tracional associada (como no diabetes) geralmente requerem vitrectomia via pars plana, isolada ou combinada com a introflexão.
A introflexão escleral é idealmente indicada em casos de descolamento de retina regmatogênico primário, especialmente em pacientes jovens e fáticos, que apresentam roturas periféricas (como roturas em ferradura) localizadas e sem evidência de proliferação vitreorretiniana (PVR) avançada. É particularmente eficaz quando as roturas estão situadas na periferia e podem ser facilmente alcançadas pela indentação externa.
A rotura em ferradura é uma ruptura da retina sensorial causada por tração vítrea focal durante um descolamento do vítreo posterior. Ela possui um 'flap' de retina que permanece preso ao vítreo, mantendo a tração aberta. Isso permite que o humor vítreo liquefeito passe para o espaço sub-retiniano, causando o descolamento progressivo da retina. É uma das principais causas de descolamento regmatogênico.
A principal vantagem da introflexão escleral é ser uma cirurgia extraocular (não entra no globo), o que reduz o risco de endoftalmite e acelera a formação de catarata, comum na vitrectomia. Além disso, ao indentar a esclera, ela aproxima o epitélio pigmentado da retina (EPR) da retina sensorial e reduz permanentemente a tração vítrea dinâmica sobre a rotura, apresentando altas taxas de sucesso anatômico em casos selecionados.
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