PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Um paciente de 65 anos, com histórico de hipertensão arterial sistêmica, é admitido no pronto socorro com queixas de fadiga intensa, náuseas, vômitos e dor abdominal difusa. Durante a avaliação, o paciente também relata fraqueza muscular e poliúria nos últimos dias. O exame físico revela desidratação leve e discreta confusão mental. Os exames laboratoriais realizados mostram os seguintes resultados: \n• Cálcio: 15,5 mg/dL (valor de referência: 8,5 - 10,5 mg/dL); \n• Fósforo: 3,4 mg/dL (valor de referência: 2,5 - 4,5 mg/dL); \n• PTH: 10 pg/mL (valor de referência: 10 - 65 pg/mL); \n• PTHrP: 1,2 pmol/L (valor de referência: < 2 pmol/L); \n• 1,25(OH) Vitamina D: 40 pg/mL (valor de referência: 20 - 50 pg/mL); \n• 25(OH) Vitamina D: 170 ng/mL (valor de referência: 30 - 100 ng/mL); \n• Creatinina: 3,2 mg/dL (valor de referência: 0,7 - 1,3 mg/dL); \n• Sódio: 140 mEq/L (valor de referência: 135 - 145 mEq/L); \n• Potássio: 4,2 mEq/L (valor de referência: 3,5 - 5,1 mEq/L). Diante do quadro, o paciente é monitorado e submetido a um eletrocardiograma. Qual seria a possível etiologia da hipercalcemia deste paciente, considerando os achados laboratoriais?
↑Cálcio + ↑25(OH)D + PTH ↓ → Intoxicação por Vitamina D.
Níveis de 25(OH)D acima de 150 ng/mL associados a PTH suprimido e hipercalcemia grave confirmam o diagnóstico de intoxicação exógena por vitamina D.
A hipercalcemia é uma emergência metabólica que exige investigação sistemática. O primeiro passo é dosar o PTH: se elevado, sugere hiperparatireoidismo; se baixo (suprimido), sugere causas não dependentes de PTH, como malignidade ou distúrbios da vitamina D.\n\nNeste caso, o paciente apresenta níveis extremamente elevados de 25(OH)D (170 ng/mL), que é a forma de armazenamento da vitamina D e o melhor marcador de ingestão exógena. Diferente de doenças granulomatosas (onde a 1,25(OH)2D estaria elevada) ou malignidade (onde o PTHrP estaria elevado), a intoxicação por vitamina D cursa com elevação direta da 25(OH)D e supressão do PTH, levando a sintomas gastrointestinais, neurológicos e renais (poliúria e insuficiência renal).
Embora varie, níveis de 25(OH) vitamina D acima de 100 ng/mL são considerados excessivos, e acima de 150 ng/mL estão frequentemente associados a toxicidade clínica e hipercalcemia.
O PTH é suprimido pelo feedback negativo causado pelos altos níveis de cálcio sérico, que ativam os receptores sensíveis ao cálcio (CaSR) nas glândulas paratireoides.
O tratamento inclui suspensão imediata da vitamina D, hidratação vigorosa com soro fisiológico, uso de diuréticos de alça (após volemia restaurada) e, em casos graves, glicocorticoides para reduzir a absorção intestinal de cálcio.
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