Intoxicação por Tetrodotoxina: Mecanismo e Sintomas

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2021

Enunciado

Paciente, J.R.S., 29 anos, deu entrada no PA apresentando vômito, tontura, dor de cabeça, fala arrastada e diarreia. A esposa relatou que o paciente começou a se queixar de parestesia na língua e na região perioral, a apresentar náusea, fraqueza progressiva bilateral dos membros superiores e inferiores, cerca de 30 min depois da ingestão de ensopado de vísceras de peixe Baiacu. Análise dos restos do ensopado detectou níveis elevados de tetrodotoxina (TTX), que atua como

Alternativas

  1. A) inibidor dos receptores nicotínicos de acetilcolina.
  2. B) agonista de receptores de potássio.
  3. C) bloqueador dos receptores de sódio voltagem dependente.
  4. D) ativador dos receptores de cálcio tipo L.

Pérola Clínica

Tetrodotoxina (TTX) → bloqueia canais de sódio voltagem-dependentes → paralisia flácida.

Resumo-Chave

A tetrodotoxina, presente no baiacu, age bloqueando os canais de sódio voltagem-dependentes nas membranas neuronais e musculares. Isso impede a despolarização e a geração de potenciais de ação, resultando em paralisia flácida progressiva e disfunção neurológica.

Contexto Educacional

A intoxicação por tetrodotoxina (TTX) é uma emergência médica grave, frequentemente associada à ingestão de peixe baiacu mal preparado. A TTX é uma neurotoxina potente encontrada em diversas espécies marinhas, sendo responsável por quadros de envenenamento com alta morbidade e mortalidade. É crucial que o médico residente esteja apto a reconhecer rapidamente os sinais e sintomas para iniciar o manejo adequado. Fisiopatologicamente, a tetrodotoxina exerce seu efeito ao se ligar seletivamente e bloquear os canais de sódio voltagem-dependentes nas membranas excitáveis de nervos e músculos. Este bloqueio impede a entrada de sódio na célula, inibindo a despolarização e a geração de potenciais de ação. Clinicamente, isso se manifesta como parestesias, fraqueza muscular progressiva, paralisia flácida, disfunção gastrointestinal e, em casos graves, insuficiência respiratória. O diagnóstico é clínico, baseado na história de ingestão e nos sintomas. O tratamento da intoxicação por TTX é primariamente de suporte, uma vez que não existe um antídoto específico. A prioridade é a manutenção da via aérea e da ventilação, podendo ser necessária intubação orotraqueal e ventilação mecânica. Outras medidas incluem lavagem gástrica se a ingestão for recente, administração de carvão ativado e monitorização cardíaca. A recuperação é geralmente completa se o paciente sobreviver às primeiras 24 horas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da intoxicação por tetrodotoxina?

Os sintomas incluem parestesia perioral e lingual, náuseas, vômitos, diarreia, tontura, cefaleia, fraqueza muscular progressiva e fala arrastada, podendo evoluir para paralisia respiratória.

Como a tetrodotoxina atua no organismo?

A tetrodotoxina atua como um potente bloqueador dos canais de sódio voltagem-dependentes, impedindo a geração e propagação dos potenciais de ação em nervos e músculos, levando à paralisia.

Qual o tratamento para a intoxicação por tetrodotoxina?

O tratamento é de suporte, focando na manutenção das funções vitais, especialmente a respiração, através de ventilação mecânica se necessário. Não há antídoto específico.

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