UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022
Primigesta de 16 anos que realizou pré-natal na Unidade Básica de Saúde apresentou quadro de convulsão tônico-clônica na sala de espera do Centro Obstétrico. Na carteira de pré-natal, havia registro de gestação de 35 semanas, sem intercorrências, e de pressão arterial de 140x90 mmHg na última consulta realizada, há 7 dias. A acompanhante informou que a paciente estava se queixando de cefaleia e visão turva. Ao exame físico, encontrava-se inconsciente, com pressão arterial de 170x120 mmHg, frequência respiratória de 16 mpm, SaO₂ de 95% e temperatura corporal de 37,2 °C. A dinâmica contrátil do útero estava ausente, e os batimentos cardiofetais eram de 120 bpm, sem desacelerações ou acelerações transitórias. Foi administrado sulfato de magnésio com objetivo de controle do quadro. Nesse caso, se a paciente estiver fazendo uso de sulfato de magnésio para prevenção de convulsões com quadro de pré-eclâmpsia grave, deve-se administrar gluconato de cálcio 10 ml a 10% quando ela apresentar
Intoxicação por sulfato de magnésio → depressão respiratória, arreflexia, oligúria. Antídoto = gluconato de cálcio.
O sulfato de magnésio é crucial na eclampsia, mas sua toxicidade pode levar a depressão respiratória e parada cardíaca. A monitorização de reflexos, frequência respiratória e diurese é essencial, e o gluconato de cálcio é o antídoto específico para reverter a toxicidade.
A eclampsia é uma emergência obstétrica grave, caracterizada por convulsões tônico-clônicas em gestantes com pré-eclâmpsia. O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a prevenção e tratamento das convulsões, sendo fundamental para reduzir a morbimortalidade materna e fetal. Sua administração requer monitorização rigorosa devido ao risco de toxicidade. A fisiopatologia da eclampsia envolve disfunção endotelial e vasoespasmo generalizado, levando a hipertensão e comprometimento de órgãos-alvo. O sulfato de magnésio atua como um anticonvulsivante e vasodilatador, mas pode causar depressão do sistema nervoso central e neuromuscular. A suspeita de toxicidade surge com a perda dos reflexos tendinosos, depressão respiratória ou oligúria. O tratamento da intoxicação por sulfato de magnésio consiste na interrupção da infusão e administração de gluconato de cálcio intravenoso, que reverte rapidamente os efeitos neuromusculares. A dose usual é de 10 ml de gluconato de cálcio a 10% em 3-5 minutos. A pronta identificação e manejo são cruciais para a segurança da paciente.
Os principais sinais incluem perda dos reflexos tendinosos profundos, depressão respiratória (FR < 12 irpm), oligúria (diurese < 25 ml/h) e, em casos graves, parada cardíaca.
O gluconato de cálcio é o antídoto específico para a toxicidade do magnésio, agindo como um antagonista fisiológico para reverter os efeitos neuromusculares, como a depressão respiratória.
Devem ser monitorados a frequência respiratória, os reflexos patelares, a diurese horária e o nível de consciência para detectar precocemente sinais de toxicidade.
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