Intoxicação Simpaticomimética: Manejo da Agitação e Taquicardia

PSU-ES - Processo Seletivo Unificado do Espírito Santo — Prova 2024

Enunciado

C.H.R., 15 anos, é admitido em sala vermelha de hospital terciário. Desacompanhado, encontra-se bastante agitado, queixando cefaléia intensa e dor torácica, iniciada há cerca de 30 minutos. Refere que “tem gente vindo atrás dele” e acusa membros da equipe de atendimento de estarem tentando machucá-lo. Apresenta esforço respiratório leve, saturando 89% em ar ambiente, sem alterações à ausculta pulmonar. Sua frequência cardíaca é de 190 bpm, e o monitor exibe ritmo regular com complexos QRS estreitos. Sua pressão arterial em membro superior direito é de 180 x 92 mmHg. Ao exame pupilar, nota-se pupilas midriáticas. Sua temperatura é de 37.9ºC. Na avaliação do quadro acima descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Trata-se de provável quadro de edema agudo pulmonar, desencadeado por crise hipertensiva relacionada à síndrome nefrítica.
  2. B) O controle de temperatura é a medida prioritária no caso, sendo indicado o uso imediato de dipirona intravenosa.
  3. C) O uso intravenoso de benzodiazepínico pode auxiliar na estabilização do quadro.
  4. D) Ante o quadro de agitação, taquicardia e hipertensão recomenda-se o uso imediato de naloxona como terapêutica de primeira escolha.

Pérola Clínica

Intoxicação simpaticomimética (agitação, taquicardia, hipertensão, midríase) → benzodiazepínicos são a primeira linha para sedação e controle cardiovascular.

Resumo-Chave

O quadro clínico de agitação psicomotora, taquicardia, hipertensão e midríase em um adolescente sugere fortemente intoxicação por substâncias simpaticomiméticas. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente, sendo os benzodiazepínicos a medicação de escolha para reduzir a agitação e os efeitos cardiovasculares.

Contexto Educacional

A intoxicação por substâncias simpaticomiméticas, como cocaína e anfetaminas, é uma emergência médica comum, especialmente em adolescentes e adultos jovens. Caracteriza-se por hiperatividade do sistema nervoso simpático, levando a um quadro de agitação psicomotora, taquicardia, hipertensão, midríase e hipertermia. A fisiopatologia envolve o aumento da liberação ou a inibição da recaptação de catecolaminas nas fendas sinápticas. O diagnóstico é clínico, baseado na história (se disponível) e nos achados do exame físico. É crucial diferenciar de outras causas de agitação, como hipoglicemia, abstinência alcoólica, tireotoxicose ou condições psiquiátricas. O tratamento visa a estabilização do paciente. Benzodiazepínicos intravenosos são a primeira linha para controlar a agitação, taquicardia e hipertensão, pois reduzem a atividade simpática. Medidas de resfriamento são importantes para hipertermia. É fundamental evitar betabloqueadores isolados, pois podem exacerbar a hipertensão devido à vasoconstrição alfa-adrenérgica não oposta, e não há indicação para naloxona neste cenário.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de intoxicação por simpaticomiméticos?

Os sinais e sintomas incluem agitação psicomotora, taquicardia, hipertensão, midríase, diaforese, hipertermia e, em casos graves, convulsões, arritmias e isquemia miocárdica.

Por que os benzodiazepínicos são a primeira escolha no tratamento da intoxicação por simpaticomiméticos?

Os benzodiazepínicos são a primeira escolha porque reduzem a agitação, a ansiedade e os efeitos cardiovasculares (taquicardia, hipertensão) ao potencializar a ação do GABA, um neurotransmissor inibitório, sem bloquear os receptores alfa-adrenérgicos de forma isolada.

Quando a naloxona deve ser considerada em um paciente agitado?

A naloxona é um antagonista opioide e deve ser considerada apenas se houver suspeita de intoxicação por opioides, que geralmente cursa com depressão respiratória e miose, o oposto do quadro simpaticomimético.

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