Intoxicação por Salicilatos: Diagnóstico e Distúrbios Ácido-Base

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 65 anos idade, com antecedentes de hipertensão e diabetes, deu entrada no pronto-socorro, e seus dados eram os seguintes: paciente sonolenta e taquidispneica; MEG; escala de coma Glasgow 7; FC de 120 bpm; frequência respiratória (FR) de 40 ipm; PA igual a 100 mmHg × 55 mmHg; BRNF 2T sem sopros; MV+ bilateral sem RA. Exame abdominal prejudicado pelo neurológico. Foram colhidos exames, que revelaram o seguinte: pH = 7,32; pCO₂ = 22 mmHg; bicarbonato = 12; pO₂ = 100; saturação = 99%; creatinina = 1,5; ureia = 40 mg/dL (normal: até 40); ácido úrico = 10 (referência para mulheres: 2,4 – 5,7); HB = 10; leucócitos = 10.000; e plaquetas = 80.000.Considere que um familiar tenha relatado ao médico que a paciente já tinha recebido, havia dois anos, os diagnósticos relatados e estava bem compensada, fazendo uso das seguintes medicações: metformina 750 mg/dia; ácido acetilsalicílico (AAS) 200 mg; furosemida 40 mg; e losartana 40 mg/dia. Considerando as informações apresentadas, assinale a alternativa que apresenta a principal hipótese diagnóstica para essa paciente.

Alternativas

  1. A) cetoacidose diabética
  2. B) insuficiência renal devido ao uso inadvertido de losartana
  3. C) acidente vascular cerebral 
  4. D) intoxicação por ácido acetilsalicílico
  5. E) sepse de foco urinário

Pérola Clínica

Acidose metabólica com anion gap elevado + alcalose respiratória + taquipneia → suspeitar intoxicação por salicilatos.

Resumo-Chave

A intoxicação por salicilatos classicamente apresenta uma combinação de acidose metabólica com anion gap elevado e alcalose respiratória, devido à estimulação do centro respiratório e à interferência no metabolismo celular. A taquipneia é um sinal chave.

Contexto Educacional

A intoxicação por salicilatos, como o ácido acetilsalicílico (AAS), é uma emergência médica que pode ser grave e fatal se não reconhecida e tratada prontamente. Embora o AAS seja amplamente utilizado, doses terapêuticas elevadas ou ingestões acidentais/intencionais podem levar à toxicidade, especialmente em idosos ou pacientes com comorbidades. A fisiopatologia da intoxicação por salicilatos é complexa, envolvendo a estimulação direta do centro respiratório (causando alcalose respiratória inicial e taquipneia) e a desacoplagem da fosforilação oxidativa, levando ao acúmulo de ácidos orgânicos e acidose metabólica com anion gap elevado. A apresentação clínica é variada, incluindo sintomas gastrointestinais, neurológicos (sonolência, zumbido, convulsões) e cardiovasculares (taquicardia, hipotensão). O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico e, crucialmente, na gasometria arterial e dosagem sérica de salicilatos. O tratamento envolve medidas de suporte, descontaminação gastrointestinal (carvão ativado), alcalinização urinária para aumentar a excreção e, em casos graves, hemodiálise. A monitorização rigorosa dos distúrbios ácido-base e eletrólitos é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados gasométricos típicos da intoxicação por salicilatos?

A intoxicação por salicilatos causa acidose metabólica com anion gap elevado, acompanhada de alcalose respiratória compensatória, resultando em pH variável, pCO2 baixo e bicarbonato baixo.

Quais os sintomas da intoxicação por AAS?

Os sintomas incluem taquipneia, sonolência, tontura, zumbido, náuseas, vômitos, febre, sudorese e, em casos graves, coma, convulsões e edema pulmonar não cardiogênico.

Como calcular o anion gap e qual sua importância?

O anion gap é calculado por [Na+ - (Cl- + HCO3-)] e um valor elevado (>12 mEq/L) sugere acidose metabólica por acúmulo de ácidos endógenos ou exógenos, como na intoxicação por salicilatos.

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