Intoxicação por Salicilatos: Diagnóstico e Distúrbios Ácido-Base

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Adolescente de 16 anos chega à sala de emergência com história de ter sido encontrada desacordada em seu quarto ha 1 hora. Ao exame físico: sonolenta (Escala de Coma de Glasgow 11), frequência respiratória de 30 ipm, frequência cardíaca de 100 bpm, pressão arterial de 100/70 mmHg, pulsos amplos e simétricos, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. A acompanhante relata ter encontrado uma cartela de comprimidos vazia ao lado da cama da paciente. A gasometria arterial mostra: pH: 7,52 PO2:100 mmHg; PCOz:22 mmHg: Bicarbonato: 14 mEq/L; Base Excess: 11; sódio plasmático: 140 mEq/L; potássio plasmático: 4,0 mEq/L; cloro plasmático: 103 mEq/L. Qual é o provável agente causador da intoxicação?

Alternativas

  1. A) Benzodiazepinico.
  2. B) Antidepressivo triciclico.
  3. C) Acido acetil salicilico.
  4. D) Opioide.

Pérola Clínica

Intoxicação por AAS → Alcalose respiratória + Acidose metabólica com ânion gap elevado (AG > 12).

Resumo-Chave

A combinação de alcalose respiratória (PCO2 baixo, pH alto) e acidose metabólica com ânion gap elevado (HCO3 baixo, AG alto) é patognomônica da intoxicação por salicilatos (AAS). A taquipneia é um achado comum devido à estimulação do centro respiratório, e o rebaixamento do nível de consciência indica gravidade.

Contexto Educacional

A intoxicação por salicilatos, comumente por ácido acetilsalicílico (AAS), é uma emergência toxicológica que pode ser fatal se não reconhecida e tratada prontamente. É particularmente preocupante em adolescentes e adultos jovens, muitas vezes associada a tentativas de suicídio. A fisiopatologia envolve a estimulação direta do centro respiratório, levando a uma alcalose respiratória, e a interferência no metabolismo celular, resultando em acidose metabólica com ânion gap elevado. O diagnóstico é feito pela história clínica de exposição e pelos achados laboratoriais. A gasometria arterial é crucial, revelando a combinação característica de alcalose respiratória (pH elevado, PCO2 baixo) e acidose metabólica com ânion gap elevado (HCO3 baixo, ânion gap > 12 mEq/L). Outros achados podem incluir hipocalemia, hiperglicemia ou hipoglicemia, e níveis séricos de salicilato. O manejo inicial envolve estabilização do paciente, descontaminação gastrointestinal (se apropriado), alcalinização da urina para aumentar a excreção renal de salicilatos e, em casos graves, hemodiálise. Residentes devem estar aptos a interpretar a gasometria e o ânion gap para um diagnóstico rápido e a iniciar as medidas terapêuticas adequadas, visando prevenir complicações graves como edema cerebral e pulmonar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais distúrbios ácido-base na intoxicação por salicilatos?

A intoxicação por salicilatos tipicamente causa uma alcalose respiratória primária (por estimulação do centro respiratório) e uma acidose metabólica com ânion gap elevado, devido ao acúmulo de metabólitos ácidos.

Como o ânion gap é calculado e qual sua importância na intoxicação por AAS?

O ânion gap é calculado como Na+ - (Cl- + HCO3-). Na intoxicação por AAS, o ânion gap é elevado (>12 mEq/L) devido ao acúmulo de salicilatos e seus metabólitos ácidos, indicando a presença de ácidos não mensurados.

Quais são os sinais clínicos de intoxicação grave por salicilatos?

Sinais de gravidade incluem rebaixamento do nível de consciência, taquipneia, febre, convulsões, edema pulmonar, distúrbios hidroeletrolíticos severos e instabilidade hemodinâmica.

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