FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Em setembro de 2020, o Congresso Nacional travou um debate sobre a proibição do PARAQUAT como herbicida na agricultura brasileira. Ficou decidido que a sua fabricação, comercialização e uso estão proibidas no território brasileiro a partir de 22 de setembro de 2020. A bancada ruralista ainda não se deu por vencida e pretende recorrer contra a decisão. O presidente da ANVISA declarou: “a decisão da ANVISA ainda pode ser revista no futuro, desde que esteja acompanhada de embasamento científico'. Quais os principais efeitos do PARAQUAT sobre a saúde humana?
Intoxicação por Paraquat → lesão pneumócitos tipo II, ↓surfactante, colapso alveolar, alveolite e fibrose pulmonar.
O Paraquat é um herbicida altamente tóxico, cujo principal alvo de lesão no corpo humano são os pulmões. Ele causa dano direto aos pneumócitos tipo II, responsáveis pela produção de surfactante, levando a colapso alveolar, inflamação (alveolite) e, em casos graves, fibrose pulmonar irreversível, que é a principal causa de morte.
O Paraquat é um herbicida bipiridílico amplamente utilizado na agricultura, mas sua alta toxicidade para humanos levou à sua proibição em diversos países, incluindo o Brasil a partir de 2020. A intoxicação por Paraquat, seja por ingestão acidental ou intencional, representa uma emergência médica grave com alta taxa de mortalidade. É crucial que profissionais de saúde compreendam seus mecanismos de ação e efeitos para um manejo adequado, embora muitas vezes desafiador. O principal alvo da toxicidade do Paraquat no corpo humano são os pulmões. Após a absorção, o Paraquat é seletivamente concentrado nos pneumócitos tipo I e, principalmente, tipo II, através de um sistema de transporte ativo. Dentro dessas células, ele participa de reações de oxirredução cíclicas, gerando radicais superóxido e outras espécies reativas de oxigênio. Esse estresse oxidativo causa dano celular direto, levando à necrose dos pneumócitos tipo II, que são responsáveis pela produção de surfactante. A lesão dos pneumócitos tipo II resulta em diminuição da produção de surfactante, colapso alveolar e uma intensa resposta inflamatória, caracterizada por alveolite com migração de neutrófilos e macrófagos. Clinicamente, isso se manifesta como insuficiência respiratória aguda. Em casos de sobrevivência à fase aguda, o processo inflamatório pode evoluir para fibrose pulmonar progressiva e irreversível (parenquimatização pulmonar), que é a principal causa de óbito tardio. Outros órgãos como rins, fígado e coração também podem ser afetados, mas a toxicidade pulmonar é a mais proeminente e letal.
O principal órgão afetado é o pulmão, onde o Paraquat causa lesão direta aos pneumócitos tipo II, levando a uma cascata de eventos inflamatórios e fibróticos.
O Paraquat é ativamente transportado para os pneumócitos tipo I e II, onde sofre reações de oxirredução cíclicas, gerando radicais superóxido que causam dano oxidativo, inflamação e, eventualmente, fibrose pulmonar irreversível.
Não há um antídoto específico. O tratamento é de suporte, incluindo lavagem gástrica precoce, carvão ativado, hemodiálise/hemoperfusão para remover o tóxico e manejo das complicações pulmonares, mas o prognóstico é geralmente reservado em intoxicações graves.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo