SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Mulher, 20 anos, admitida em uma Unidade de Urgência e Emergência após uso de 4 cartelas de paracetamol (aproximadamente 12 gramas) como tentativa de suicídio. Encontra-se desacordada e ictérica. Pelos relatos dos familiares, o episódio ocorreu há cerca de 3 dias. Colhida gasometria arterial que revelou pH = 7,21. Assinale a alternativa que indica corretamente qual a conduta mais adequada para essa paciente.
Intoxicação paracetamol grave com insuficiência hepática e acidose (pH < 7.3) → N-acetilcisteína + avaliação para transplante hepático.
Paciente com intoxicação grave por paracetamol, apresentando insuficiência hepática aguda (icterícia) e acidose metabólica (pH 7.21) após 3 dias, indica falha hepática fulminante. A N-acetilcisteína ainda é essencial, mas a gravidade do quadro exige avaliação urgente para transplante hepático, conforme critérios como os de King's College.
A intoxicação por paracetamol (acetaminofeno) é uma das causas mais comuns de insuficiência hepática aguda em países ocidentais. A dose tóxica geralmente excede 7.5-10 gramas em adultos, e a apresentação clínica pode variar desde assintomática nas primeiras horas até falência hepática fulminante em dias. O paracetamol é metabolizado no fígado, e em doses elevadas, o metabólito tóxico N-acetil-p-benzoquinona imina (NAPQI) se acumula, esgotando as reservas de glutationa e causando necrose hepatocelular. A N-acetilcisteína (NAC) atua repondo a glutationa e desintoxicando o NAPQI, sendo o antídoto mais eficaz, especialmente se administrada nas primeiras 8 horas. Em casos de intoxicação grave, como o descrito, com icterícia, alteração do nível de consciência e acidose metabólica (pH < 7.3), a insuficiência hepática é avançada. Nesses cenários, além da NAC endovenosa, a avaliação urgente para transplante hepático é imperativa, guiada por critérios prognósticos como os de King's College, que identificam pacientes com alta mortalidade sem transplante.
O paracetamol é metabolizado no fígado, e em doses tóxicas, a via de conjugação com glutationa é saturada, levando ao acúmulo do metabólito tóxico N-acetil-p-benzoquinona imina (NAPQI), que causa necrose hepatocelular.
A N-acetilcisteína é indicada em todas as intoxicações por paracetamol com risco de hepatotoxicidade, seja por dose excessiva aguda, ingestão crônica ou apresentação tardia com evidência de lesão hepática.
Os critérios de King's College para transplante hepático na intoxicação por paracetamol incluem pH arterial < 7.3 após ressuscitação volêmica, ou a combinação de INR > 6.5, creatinina > 3.4 mg/dL e encefalopatia hepática graus III/IV.
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