INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma mãe leva ao pronto-socorro sua filha de 3 anos, com quadro de gastroenterite. Durante seu relato informa que a criança vinha apresentando febre persistente e que, por isso, administrou dose elevada de antitérmico. Diante desse quadro, a médica prescreve N-acetilcisteína como antídoto para a intoxicação.Considerando a prescrição médica, assinale a alternativa que apresenta o medicamento que causou a intoxicação.
N-acetilcisteína é o antídoto específico para intoxicação por paracetamol, prevenindo hepatotoxicidade.
A N-acetilcisteína é o antídoto de escolha para a intoxicação por paracetamol, agindo ao repor as reservas de glutationa, essencial para a detoxificação do metabólito tóxico N-acetil-p-benzoquinonaimina (NAPQI), prevenindo assim a lesão hepática grave.
A intoxicação por paracetamol (acetaminofeno) é uma das causas mais comuns de falência hepática aguda em todo o mundo, tanto em adultos quanto em crianças, frequentemente devido a erros de dosagem ou superdosagem intencional. Para residentes e estudantes de medicina, é crucial reconhecer essa condição e saber a conduta adequada, especialmente o uso do antídoto específico. A fisiopatologia da hepatotoxicidade do paracetamol envolve a produção de um metabólito tóxico, o N-acetil-p-benzoquinonaimina (NAPQI), quando as vias metabólicas normais estão saturadas. Em doses terapêuticas, o NAPQI é rapidamente detoxificado pela glutationa. No entanto, em superdosagem, as reservas de glutationa se esgotam, permitindo que o NAPQI se ligue a proteínas celulares e cause necrose hepatocelular. O diagnóstico é baseado na história de ingestão e nos níveis séricos de paracetamol, avaliados pelo nomograma de Rumack-Matthew. O tratamento da intoxicação por paracetamol é a administração de N-acetilcisteína (NAC), que age repondo as reservas de glutationa e fornecendo precursores para sua síntese, além de ter propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. A NAC é eficaz tanto por via oral quanto intravenosa, e sua administração precoce é fundamental para prevenir ou minimizar a lesão hepática. O manejo inclui também medidas de suporte e monitoramento da função hepática. O conhecimento sobre a dose tóxica, o tempo de ingestão e a pronta administração do antídoto são vitais para um bom prognóstico.
Inicialmente, os sintomas podem ser inespecíficos, como náuseas, vômitos, mal-estar e sudorese. Após 24-48 horas, podem surgir sinais de hepatotoxicidade, como dor no quadrante superior direito do abdome, icterícia, coagulopatia e encefalopatia hepática, indicando lesão grave.
A N-acetilcisteína atua repondo as reservas de glutationa no fígado. A glutationa é crucial para conjugar e inativar o metabólito tóxico do paracetamol, NAPQI. Ao restaurar a glutationa, a N-acetilcisteína permite a detoxificação do NAPQI, prevenindo o dano celular hepático.
A N-acetilcisteína é mais eficaz quando administrada nas primeiras 8 a 10 horas após a ingestão da dose tóxica de paracetamol, pois nesse período a lesão hepática ainda pode ser prevenida ou minimizada. Após 24 horas, sua eficácia diminui, embora ainda possa ser benéfica.
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