Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2018
Agricultor de 45 anos procura atendimento médico na UPA do município. Apresenta náuseas, vômitos, broncoespasmo, sudorese e salivação após manuseio de produtos organofosforados no local de trabalho. Relata que nunca fez uso de equipamentos de proteção. Nessa situação, a provável intoxicação por agrotóxicos deve ser notificada no:
Intoxicação por organofosforados → Síndrome colinérgica (SLUDGE) = Notificação obrigatória no SINAN.
A intoxicação por organofosforados causa uma síndrome colinérgica devido à inibição da acetilcolinesterase. É um agravo de notificação compulsória no Brasil, e o sistema utilizado para registrar esses casos é o SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), que permite o monitoramento epidemiológico e a implementação de medidas de saúde pública.
A intoxicação por organofosforados é um problema de saúde pública significativo, especialmente em regiões agrícolas, devido ao uso generalizado desses compostos como pesticidas. Os organofosforados são inibidores da enzima acetilcolinesterase, levando ao acúmulo de acetilcolina nas sinapses e resultando em uma síndrome colinérgica. Este tema é de grande relevância para médicos que atuam em pronto-socorros e para a saúde do trabalhador, sendo frequentemente abordado em provas de residência. Os sintomas da intoxicação por organofosforados são variados e incluem manifestações muscarínicas (miose, broncoespasmo, salivação, lacrimejamento, vômitos, diarreia, bradicardia, sudorese) e nicotínicas (fasciculações musculares, fraqueza, paralisia). O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e nos sintomas característicos. A notificação compulsória desses casos é uma ferramenta essencial para a vigilância epidemiológica e a saúde pública. No Brasil, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) é o responsável por coletar dados sobre doenças e agravos de notificação compulsória, incluindo as intoxicações exógenas. O tratamento da intoxicação por organofosforados envolve medidas de suporte, descontaminação e o uso de antídotos específicos. A atropina é o principal antídoto para os efeitos muscarínicos, enquanto as oximas (como a pralidoxima) podem reativar a acetilcolinesterase, sendo mais eficazes se administradas precocemente. A notificação correta no SINAN permite que as autoridades de saúde monitorem a incidência, identifiquem áreas de risco e implementem estratégias de prevenção, como a educação sobre o uso seguro de agrotóxicos e o fornecimento de equipamentos de proteção individual para trabalhadores rurais.
Os sintomas da intoxicação por organofosforados resultam da estimulação colinérgica excessiva e podem ser lembrados pelo mnemônico SLUDGE (Salivation, Lacrimation, Urination, Defecation, Gastrointestinal cramps, Emesis), além de broncoespasmo, miose, bradicardia, sudorese e, em casos graves, fraqueza muscular e paralisia.
O tratamento inicial envolve a descontaminação do paciente (remoção de roupas, lavagem da pele), suporte ventilatório se necessário, e a administração de atropina para reverter os efeitos muscarínicos. Oximas, como a pralidoxima, podem ser usadas para reativar a acetilcolinesterase, especialmente se administradas precocemente.
O SINAN é crucial para a vigilância epidemiológica das intoxicações por agrotóxicos, pois permite coletar dados sobre a ocorrência, distribuição e determinantes desses agravos. Essas informações são essenciais para planejar e implementar ações de prevenção, controle e promoção da saúde, especialmente em populações de risco como agricultores.
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