PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2020
Mulher de 26 anos, previamente hígida, é admitida no pronto-socorro, após ter sido encontrada desacordada há cerca de uma hora. Apresentou vômitos durante o transporte. Ao exame clínico, em mau estado geral, sialorreia e broncorreia intensa, FC=68 bpm, FR=36 ipm, SatO2 em ar ambiente=78%, PA=100x60 mmHg, T=36º C, Glicemia capilar=126 mg/dL. Ausculta pulmonar com roncos difusos e raros sibilos. Abdômen; aumento dos ruídos hidroaéreos. Escala de coma de Glasgow=11, pupilas mióticas, isocóricas, sem déficits focais. Presença de fasciculação em musculatura de membros inferiores. Após estabilização na sala de emergência, a próxima conduta deve ser:
Intoxicação por organofosforados → síndrome colinérgica (miose, sialorreia, broncorreia, bradicardia, fasciculações). Atropina é a primeira conduta.
O quadro clínico descrito (sialorreia, broncorreia, miose, bradicardia, aumento de ruídos hidroaéreos, fasciculações) é clássico da síndrome colinérgica, causada pela inibição da acetilcolinesterase por organofosforados. A atropina é o antídoto de escolha, agindo como antagonista competitivo da acetilcolina nos receptores muscarínicos, sendo a primeira conduta após estabilização inicial.
A intoxicação por organofosforados é uma emergência médica grave, frequentemente associada à exposição a pesticidas. Caracteriza-se pela inibição irreversível da enzima acetilcolinesterase, levando ao acúmulo de acetilcolina nas sinapses e à hiperestimulação dos receptores muscarínicos e nicotínicos. A rápida identificação e tratamento são cruciais devido à alta letalidade. O quadro clínico é dominado pela síndrome colinérgica, que pode ser dividida em efeitos muscarínicos (miose, sialorreia, broncorreia, bradicardia, vômitos, diarreia, sudorese) e nicotínicos (fasciculações, fraqueza muscular, paralisia). A broncorreia e a broncoconstrição, juntamente com a depressão respiratória, são as principais causas de insuficiência respiratória e óbito. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e nos sinais e sintomas. Após a estabilização das vias aéreas e ventilação, a conduta imediata é a administração de atropina, que reverte os efeitos muscarínicos. A pralidoxima, uma oxima, pode ser usada em conjunto para reativar a acetilcolinesterase, mas deve ser administrada precocemente. A descontaminação cutânea e gástrica também são importantes. O suporte intensivo é fundamental, com monitorização contínua e manejo das complicações.
Os sintomas muscarínicos incluem miose, sialorreia, broncorreia, bradicardia, vômitos, diarreia e sudorese. Os nicotínicos incluem fasciculações musculares, fraqueza e paralisia. Sintomas do SNC podem incluir convulsões e coma.
A atropina é um antagonista competitivo da acetilcolina nos receptores muscarínicos, revertendo os efeitos muscarínicos da intoxicação, como broncorreia, sialorreia e bradicardia, que são as principais causas de morbidade e mortalidade.
A dose inicial de atropina em adultos é de 1-2 mg IV, repetida a cada 5-10 minutos. A titulação deve ser feita até a atropinização, que se manifesta pela melhora das secreções brônquicas, diminuição da sialorreia e normalização da frequência cardíaca, mas sem necessariamente reverter a miose.
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