Intoxicação por Organofosforados: Diagnóstico e Atropina

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, 3 anos de idade, hígido, foi levado ao pronto-socorro após episódios de vómitos e prostração de início súbito, iniciados há 1 hora. Até então, criança estava assintomática. Nega febre, nega diarreia. Pais referem que estavam trabalhando de home-office e que criança estava brincando na frente de casa, sem supervisão, quando os sintomas se iniciaram. Ao exame clínico de entrada, apresenta-se descorado, desidratado de algum grau, hipoativo e hiporreativo. Parâmetros vitais com FC: 65 bpm, FR: 14 irpm, PA 78 x 46 mmHg, saturação: 95% em ar ambiente, tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Pupilas mióticas com lacrimejamento intenso, sudorese e salivação intensas. Ausculta pulmonar com roncos de transmissão, sem desconforto. Sem lesões de pele. Sem outras alterações ao exame clínico. Assinale a medicação indicada no caso referido

Alternativas

  1. A) atropina.
  2. B) flumazenil.
  3. C) gluconato de cálcio.
  4. D) naloxone.
  5. E) vitamina K.

Pérola Clínica

Criança com início súbito de miose, bradicardia, salivação, sudorese, lacrimejamento → Intoxicação colinérgica, tratar com atropina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de início súbito com miose, bradicardia, lacrimejamento, sudorese e salivação intensas em uma criança é altamente sugestivo de síndrome colinérgica, comumente causada por intoxicação por organofosforados ou carbamatos. A atropina é o antídoto de escolha para reverter os efeitos muscarínicos dessa intoxicação.

Contexto Educacional

A intoxicação por organofosforados e carbamatos é uma emergência médica grave, frequentemente associada à exposição a pesticidas. Em crianças, a curiosidade e a falta de supervisão podem levar a ingestões acidentais. É crucial para residentes reconhecerem rapidamente a síndrome colinérgica, que resulta da inibição da acetilcolinesterase, levando ao acúmulo de acetilcolina nas sinapses e junções neuromusculares. O quadro clínico é caracterizado por uma constelação de sinais e sintomas muscarínicos e nicotínicos. No caso descrito, a miose, bradicardia, lacrimejamento, sudorese e salivação intensas são manifestações muscarínicas clássicas da síndrome colinérgica. A prostração, vômitos e hipotensão também são comuns. A rápida progressão dos sintomas após a exposição é um forte indicativo. O tratamento é emergencial e visa à descontaminação, suporte vital e administração de antídotos. A atropina é o antídoto de primeira linha, atuando como antagonista competitivo nos receptores muscarínicos, revertendo a bradicardia, broncoespasmo e hipersecreções. A dose deve ser titulada até a atropinização. Em casos graves, pode ser necessária a pralidoxima para reativar a acetilcolinesterase. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são determinantes para o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome colinérgica?

A síndrome colinérgica, causada por organofosforados ou carbamatos, manifesta-se por sinais muscarínicos (miose, lacrimejamento, salivação, sudorese, bradicardia, broncorreia, broncoespasmo, vômitos, diarreia) e nicotínicos (fraqueza muscular, fasciculações, paralisia). O acrônimo SLUDGE (Salivation, Lacrimation, Urination, Defecation, GI upset, Emesis) ajuda a memorizar os sintomas muscarínicos.

Qual a medicação de escolha para tratar a intoxicação por organofosforados?

A atropina é a medicação de escolha para reverter os efeitos muscarínicos da intoxicação por organofosforados, sendo administrada por via intravenosa até a atropinização (secura de mucosas, midríase, frequência cardíaca > 80-90 bpm). Pralidoxima pode ser usada para reativar a acetilcolinesterase, combatendo efeitos nicotínicos e muscarínicos.

Como diferenciar a intoxicação por organofosforados de outras causas de prostração em crianças?

A chave para o diagnóstico diferencial está na constelação de sintomas colinérgicos de início súbito, como miose, bradicardia, hipersalivação e sudorese, que são bastante específicos. Outras causas de prostração podem não apresentar essa combinação de sinais, exigindo uma anamnese detalhada sobre possível exposição a toxinas.

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