Intoxicação por Organofosforados: Diagnóstico e Conduta

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 42 anos, trabalhador rural, é levado à Unidade de Pronto Atendimento por familiares após ser encontrado em seu galpão de ferramentas com rebaixamento do nível de consciência. Segundo a esposa, ele estava aplicando defensivos agrícolas em uma plantação de café durante todo o dia sem utilizar equipamentos de proteção individual. Ao exame físico, o paciente apresenta-se sonolento, com sudorese profusa e sialorreia intensa. Sinais vitais: pressão arterial de 95x60 mmHg, frequência cardíaca de 44 bpm, frequência respiratória de 28 irpm e saturação de oxigênio de 89% em ar ambiente. À ausculta pulmonar, notam-se estertores crepitantes difusos e sibilância (bronchorreia). As pupilas estão puntiformes (miose) e há presença de fasciculações musculares visíveis em membros inferiores. Diante do quadro clínico apresentado, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial correta são:

Alternativas

  1. A) Intoxicação por carbamatos; uso isolado de pralidoxima e oxigenioterapia.
  2. B) Intoxicação por piretroides; lavagem gástrica imediata e uso de diazepam.
  3. C) Intoxicação por organofosforados; atropinização e administração de pralidoxima.
  4. D) Intoxicação por paraquat; oxigenioterapia em alto fluxo e corticoterapia endovenosa.

Pérola Clínica

Miose + Bronchorreia + Bradicardia + Fasciculações = Síndrome Colinérgica (Organofosforados) → Atropina + Pralidoxima.

Resumo-Chave

Organofosforados inibem irreversivelmente a acetilcolinesterase, gerando excesso de acetilcolina. O tratamento prioriza a atropina para sintomas muscarínicos e pralidoxima para reativação enzimática.

Contexto Educacional

A intoxicação por organofosforados representa uma emergência toxicológica grave, comum em trabalhadores rurais expostos a defensivos agrícolas sem EPI. A fisiopatologia baseia-se na inibição da acetilcolinesterase, levando ao acúmulo de acetilcolina nas fendas sinápticas. Isso resulta em uma crise colinérgica generalizada, afetando receptores muscarínicos (DUMBELS: Diarreia, Urina, Miose, Bronchorreia/Bradicardia, Emese, Lacrimejamento, Salivação) e nicotínicos. O manejo imediato deve focar na estabilização respiratória, frequentemente ameaçada pela bronchorreia intensa e broncoespasmo. A descontaminação (remoção de roupas, lavagem da pele) é crucial para evitar a absorção contínua e proteger a equipe de saúde. A atropina deve ser iniciada prontamente em doses crescentes, enquanto a pralidoxima deve ser administrada nas primeiras 24-48 horas para prevenir o 'envelhecimento' irreversível da ligação enzima-inseticida.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre organofosforados e carbamatos no tratamento?

Ambos causam síndrome colinérgica por inibição da acetilcolinesterase. No entanto, os carbamatos causam uma inibição reversível, enquanto os organofosforados causam uma inibição que se torna irreversível com o tempo (envelhecimento da enzima). Por esse motivo, a pralidoxima, que é um reativador da enzima, é indicada especificamente para organofosforados, sendo geralmente desnecessária no tratamento de intoxicações por carbamatos (chumbinho).

Como avaliar se a dose de atropina está adequada?

O objetivo da atropinização não é atingir midríase ou taquicardia, mas sim a reversão dos sinais de hipersecreção colinérgica. O parâmetro clínico mais importante é a 'secagem' das secreções pulmonares (resolução da bronchorreia) e a melhora da ausculta pulmonar. O médico deve administrar doses dobradas sucessivas de atropina até que os estertores crepitantes desapareçam e a oxigenação melhore.

Por que ocorrem fasciculações na intoxicação por organofosforados?

As fasciculações musculares decorrem da estimulação excessiva dos receptores nicotínicos na junção neuromuscular pelo excesso de acetilcolina. Diferente dos sintomas muscarínicos (como bradicardia e sialorreia), os sintomas nicotínicos não respondem à atropina. O tratamento desses sinais e da fraqueza muscular associada depende da administração precoce de pralidoxima para reativar a enzima acetilcolinesterase.

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