FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024
Um homem de 30 anos de idade é resgatado pelo SAMU e levado para a emergência do Hospital Nova Esperança após familiares o encontrarem desacordado em casa. O paciente possui histórico de abuso de substâncias intravenosas e imunodeficiência pelo HIV, sem adesão adequada aos tratamentos. A última contagem de células CD4 foi < 200/ μL. No exame, a pressão arterial é 120/70 mmHg, a frequência cardíaca é de 110 bpm, a frequência respiratória é de 8 irm, a saturação de oxigênio é 85% e a temperatura de 36°C. A gasometria em ar ambiente revela pH de 7,15, pressão parcial do CO2 de 70 mmHg e pressão parcial de oxigênio de 55 mmHg. Qual o diagnóstico mais provável neste caso?
Paciente com histórico de uso IV, bradipneia (FR 8), hipoxemia (Sat 85%), hipercapnia (pCO2 70) e acidose respiratória (pH 7.15) → Intoxicação por opioides.
O quadro clínico de depressão respiratória grave (FR 8, hipoxemia, hipercapnia e acidose respiratória) em um paciente com histórico de abuso de substâncias intravenosas é altamente sugestivo de intoxicação por opioides. A imunodeficiência pelo HIV, embora relevante, não explica diretamente a depressão respiratória aguda.
A intoxicação por opioides é uma emergência médica grave, frequentemente associada ao abuso de substâncias intravenosas, como no caso apresentado. É uma causa comum de depressão respiratória e morte, especialmente em populações vulneráveis, como usuários de drogas ilícitas e pacientes com histórico de HIV e baixa adesão ao tratamento. A fisiopatologia central da intoxicação por opioides é a depressão do centro respiratório no tronco cerebral, levando à hipoventilação, bradipneia e, consequentemente, à hipercapnia e hipoxemia. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de coma, miose puntiforme e depressão respiratória, em um paciente com histórico de uso de opioides. A gasometria arterial confirma a acidose respiratória e a hipoxemia, enquanto a saturação de oxigênio é um indicador rápido da gravidade da hipoxemia. O manejo imediato envolve a garantia da via aérea e suporte ventilatório, se necessário, e a administração de naloxona, um antagonista competitivo dos receptores opioides. A naloxona reverte rapidamente os efeitos dos opioides, mas sua meia-vida curta pode exigir doses repetidas ou infusão contínua. É crucial monitorar o paciente de perto após a administração da naloxona, pois a reversão abrupta pode precipitar a síndrome de abstinência.
Os sinais clássicos incluem depressão do sistema nervoso central (sonolência, coma), depressão respiratória (bradipneia, hipoventilação), miose puntiforme e hipotensão.
O tratamento de emergência consiste na administração de naloxona, um antagonista opioide, e suporte ventilatório, se necessário, para reverter a depressão respiratória.
A gasometria arterial pode revelar acidose respiratória (pH baixo, pCO2 elevado) e hipoxemia (pO2 baixa), confirmando a hipoventilação e a depressão respiratória.
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