Intoxicação por Opioides: Diagnóstico e Manejo de Emergência

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019

Enunciado

Homem de 32 anos chega ao pronto-socorro trazido por familiares com quadro de letargia, sonolência e surgimento de lesões na pele há uma semana. História prévia de TCE, há seis meses, quando foi necessária drenagem ventricular externa e internação por um mês. Desde então, com déficit motor à direita e necessidade de uso de cadeira de rodas, permanecendo acamado a maior parte do tempo. Mãe refere humor deprimido nos últimos meses e diz que filho procura não receber mais visitas ou conversar com familiares. Ao exame: ACV FC 110, PA 80/40, TEC 5". AR FR 10, MV+, ara. Reflexos tendíneos lentificados. Ectoscopia: Qual a etiologia mais provável para esse quadro?

Alternativas

  1. A) Intoxicação por anticonvulsivantes
  2. B) Intoxicação por benzodiazepínicos 
  3. C) Intoxicação por opioides 
  4. D) Intoxicação por neurolépticos

Pérola Clínica

Coma + Bradipneia + Miose (tríade clássica) → Intoxicação por Opioides.

Resumo-Chave

A intoxicação por opioides causa depressão do SNC e do centro respiratório, levando a hipoventilação, hipotensão e bradicardia severa.

Contexto Educacional

A intoxicação por opioides é uma emergência médica crescente. O quadro clínico é dominado pela depressão do sistema nervoso central e respiratório. O manejo inicial foca na manutenção da via aérea e ventilação, seguido pelo uso criterioso de naloxona. O histórico de dor crônica ou transtornos de humor aumenta a suspeição clínica para uso abusivo ou tentativa de autoextermínio.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica da intoxicação por opioides?

A tríade clássica é composta por depressão do nível de consciência (coma ou letargia), depressão respiratória (bradipneia acentuada) e miose puntiforme. No entanto, a ausência de miose não exclui o diagnóstico, especialmente se houver co-ingestão de outras substâncias ou hipóxia grave.

Como deve ser administrada a Naloxona?

A naloxona é o antídoto específico. Deve ser administrada por via intravenosa, intramuscular ou intranasal. Em pacientes com apneia, inicia-se com doses de 0,4 a 2 mg. O objetivo não é o despertar completo, mas sim o retorno da ventilação espontânea adequada, evitando a precipitação de síndrome de abstinência aguda.

Quais são as complicações da overdose de opioides?

As principais complicações incluem edema pulmonar não cardiogênico, pneumonia por aspiração devido ao rebaixamento de consciência, rabdomiólise por imobilização prolongada (como sugerido pelas lesões de pele no caso clínico) e lesão cerebral hipóxica secundária à insuficiência respiratória.

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