SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Menino, 2 anos de idade, é levado à UPA com relato de sonolência, naúseas e vômitos há 50 minutos. Após inicio do quadro, foi constatado que o menor ingeriu bolinhas de naftalina. A genitora informa ter colocado o produto, há dois dias, na gaveta que se encontrava aberta; que as bolinhas estavam em um pacote com 5 unidades, de menos de 1cm de diâmetro, e que 3 delas foram encontradas.Ao exame, criança hipoativa, hidratada, eupneica, corada, afebril. Observa-se hipersalivação. Sem outros achados anormais no momento.Considerando o potencial tóxico do produto, e que a criança permaneceu por 8 horas em observação, sem sintomas, indique a conduta correta:
Ingestão de naftalina → Risco de hemólise tardia (3-5 dias); alta com seguimento laboratorial.
A naftalina é um agente oxidante que pode causar hemólise grave, especialmente em pacientes com deficiência de G6PD. Como a hemólise não é imediata, o acompanhamento ambulatorial com hemograma após 5 dias é essencial.
A ingestão de naftalina em pediatria é um desafio toxicológico devido ao seu potencial oxidante latente. O naftaleno é rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal, mas seus efeitos deletérios sobre a integridade da membrana eritrocitária dependem do metabolismo hepático e do esgotamento das reservas de glutationa. A principal complicação é a anemia hemolítica, que pode ser acompanhada de metemoglobinemia em casos graves. O manejo inicial foca na estabilização e descontaminação se a ingestão for recente, mas a pedra angular do tratamento em casos assintomáticos é a vigilância ambulatorial. Médicos devem estar atentos à possibilidade de deficiência de G6PD subjacente, que predispõe a crises hemolíticas fulminantes após exposição a tais substâncias. O acompanhamento laboratorial tardio garante que quedas significativas na hemoglobina não passem decepercebidas.
A naftalina (naftaleno) é um potente agente oxidante. Após a ingestão, seus metabólitos podem causar estresse oxidativo nas hemácias, levando à formação de corpúsculos de Heinz e subsequente hemólise intravascular e extravascular. Esse processo não é instantâneo, geralmente manifestando-se clinicamente entre o terceiro e o quinto dia após a exposição. Em pacientes com deficiência de G6PD, esse risco é significativamente maior devido à incapacidade de regenerar o NADPH necessário para proteger a célula contra danos oxidativos.
Para pacientes assintomáticos após a ingestão de naftalina, um período de observação hospitalar de 6 a 12 horas é geralmente suficiente para descartar toxicidade aguda imediata ou depressão do SNC. Se o paciente permanecer estável e sem sinais de hemólise aguda precoce, a alta pode ser concedida com orientações rigorosas sobre sinais de alerta, como palidez, icterícia ou colúria, e agendamento de exames laboratoriais subsequentes.
O foco principal é a detecção de anemia hemolítica e hemoglobinúria. O hemograma completo deve ser realizado entre o 5º e o 7º dia para avaliar os níveis de hemoglobina e a presença de sinais de fragmentação eritrocitária. O sumário de urina (EAS) é fundamental para detectar hemoglobinúria, que pode indicar hemólise maciça e risco de lesão renal aguda por deposição de pigmentos heme nos túbulos renais.
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