Intoxicação por Naftalina: Riscos e Metahemoglobinemia

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023

Enunciado

Menino, 2 anos de idade, é levado à UPA com relato de sonolência, naúseas e vômitos há 50 minutos. Após inicio do quadro, foi constatado que o menor ingeriu bolinhas de naftalina. A genitora informa ter colocado o produto, há dois dias, na gaveta que se encontrava aberta; que as bolinhas estavam em um pacote com 5 unidades, de menos de 1cm de diâmetro, e que 3 delas foram encontradas.  Ao exame, criança hipoativa, hidratada, eupneica, corada, afebril. Observa-se hipersalivação. Sem outros achados anormais no momento.O paciente, em questão, pode apresentar complicação decorrente de:

Alternativas

  1. A) Lesões cáusticas pela acidez.
  2. B) Lesões cáusticas pela alcalinidade.
  3. C) Síndrome hipercolinérgica.
  4. D) Metahemoglobinemia com cianose.

Pérola Clínica

Ingestão de naftalina → estresse oxidativo → metahemoglobinemia e hemólise (cianose + anemia).

Resumo-Chave

A naftalina contém naftaleno, um potente agente oxidante que induz a formação de metahemoglobina (Fe3+), incapaz de transportar oxigênio, e pode causar hemólise severa em indivíduos suscetíveis.

Contexto Educacional

A toxicologia pediátrica frequentemente lida com ingestões acidentais de produtos domésticos. A naftalina, embora menos comum hoje, ainda representa um perigo significativo devido ao seu potencial oxidante. O quadro clínico pode ser insidioso, começando com sintomas gastrointestinais e evoluindo para depressão do SNC e sinais de hipóxia tecidual. O diagnóstico é clínico-anamnéstico, confirmado pela gasometria arterial que mostra um 'gap de saturação' (diferença entre a saturação calculada pela gasometria e a medida pelo oxímetro de pulso). O manejo inicial foca na estabilização (ABC) e descontaminação gástrica se o tempo de ingestão for curto, seguido pelo monitoramento rigoroso de sinais de hemólise e níveis de metahemoglobina.

Perguntas Frequentes

Por que a naftalina causa metahemoglobinemia?

A naftalina é composta por naftaleno, que após absorção é metabolizado em compostos oxidantes (como alfa-naftol). Esses metabólitos promovem a oxidação do ferro da hemoglobina do estado ferroso (Fe2+) para o estado férrico (Fe3+), formando a metahemoglobina. Esta forma da hemoglobina possui uma afinidade aumentada pelo oxigênio remanescente, mas não o libera nos tecidos, resultando em hipóxia tecidual e cianose que não responde à suplementação de oxigênio a 100%.

Qual a relação entre naftalina e deficiência de G6PD?

Pacientes com deficiência de G6PD (Glicose-6-Fosfato Desidrogenase) possuem uma capacidade reduzida de regenerar o glutation reduzido, que protege as hemácias contra o estresse oxidativo. A ingestão de naftalina nesses pacientes precipita uma hemólise oxidativa aguda muito mais grave, com formação de corpúsculos de Heinz e destruição prematura das hemácias, levando a anemia súbita, icterícia e hemoglobinúria.

Como é feito o tratamento da metahemoglobinemia grave?

O tratamento de escolha para níveis de metahemoglobina acima de 20-30% em pacientes sintomáticos é o Azul de Metileno. Ele atua como um cofator para a enzima NADPH-metahemoglobina redutase, acelerando a conversão da metahemoglobina de volta a hemoglobina funcional. É importante notar que o azul de metileno é contraindicado ou deve ser usado com extrema cautela em pacientes com deficiência de G6PD, pois pode agravar a hemólise.

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