Intoxicação por Monóxido de Carbono: Manejo Inicial

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 27a, trazida para Unidade de Pronto Atendimento, vítima de incêndio, resgatada de ambiente fechado com muita fumaça, queixando-se de náusea e dor de cabeça. Exame físico: PA= 125x85 mmHg, FC= 94bpm, FR= 18irpm, oximetria de pulso (ar ambiente)= 99%; neurológico: Escala de Coma de Glasgow= 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Oxigênio 100% em máscara sem reinalação.
  2. B) Tratamento sintomático; hidratação.
  3. C) Radiograma de tórax.
  4. D) Hemograma, tempo de protrombina e tempo de tromboplastina ativada.

Pérola Clínica

Exposição à fumaça + sintomas neurológicos/inespecíficos + SpO2 normal → suspeitar CO/cianeto → O2 100%.

Resumo-Chave

A oximetria de pulso mede a saturação de oxi-hemoglobina, mas não diferencia a oxi-hemoglobina da carboxiemoglobina. Em casos de inalação de fumaça, a carboxiemoglobina pode estar elevada, levando a uma oximetria falsamente normal, enquanto o paciente está hipóxico a nível tecidual.

Contexto Educacional

A intoxicação por monóxido de carbono (CO) é uma causa comum de morbimortalidade em vítimas de incêndio, especialmente em ambientes fechados. O CO é um gás inodoro, incolor e insípido, tornando-o um "assassino silencioso". Sua importância clínica reside na alta afinidade pela hemoglobina (200-250 vezes maior que o oxigênio), formando carboxiemoglobina (COHb) e impedindo o transporte de oxigênio aos tecidos, além de desviar a curva de dissociação da oxi-hemoglobina para a esquerda. A fisiopatologia envolve a hipóxia tecidual generalizada, afetando principalmente órgãos com alta demanda metabólica como cérebro e coração. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e sintomas inespecíficos como cefaleia, náuseas, tontura e confusão. Crucialmente, a oximetria de pulso é unreliable, pois não distingue COHb de oxi-hemoglobina, podendo apresentar valores normais ou até elevados. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente exposto à fumaça com sintomas neurológicos ou cardiovasculares. O tratamento primordial é a administração de oxigênio a 100% por máscara sem reinalação, visando deslocar o CO da hemoglobina e reduzir a meia-vida da COHb. Em casos de intoxicação grave (níveis de COHb > 25-30%, acidose metabólica, alterações neurológicas ou cardíacas, gestantes), a oxigenoterapia hiperbárica é indicada para acelerar ainda mais a eliminação do CO e prevenir sequelas neurológicas tardias. O prognóstico depende da gravidade da exposição e da rapidez do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para intoxicação por monóxido de carbono em vítimas de incêndio?

Os sinais de alerta incluem cefaleia, náuseas, tontura, confusão mental e fraqueza, especialmente após exposição à fumaça em ambiente fechado. A oximetria de pulso pode ser enganosamente normal.

Por que a oximetria de pulso pode ser normal na intoxicação por monóxido de carbono?

O oxímetro de pulso não consegue diferenciar a oxi-hemoglobina da carboxiemoglobina. A carboxiemoglobina absorve a luz de forma semelhante à oxi-hemoglobina, resultando em leituras falsamente elevadas de SpO2.

Qual a conduta inicial para suspeita de intoxicação por monóxido de carbono?

A conduta inicial é a administração imediata de oxigênio a 100% por máscara sem reinalação. Em casos graves, a oxigenoterapia hiperbárica pode ser indicada para acelerar a eliminação do CO.

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