Intoxicação por Metanol: Diagnóstico e Distúrbios Ácido-Básicos

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente sexo masculino, trabalhador de alambique clandestino, admitido no hospital francamente dispneico (frequência respiratória 30 IRPM), sonolento e com importante turvação visual. Realizados exames à admissão: hemoglobina 12g/dl (valor de referência: 13 – 15g/dl), leucócitos 10.000, plaquetas 250.000, creatinina 1,3 mg/dl, glicemia 120 mg/dl, potássio 5 mEq/L, sódio 140 mEq/L, cloreto 100 mEq/L, pH 7.0, HCO3 10 mmol/L, pCO2 30 mmHg, BE: -3. Nesse caso, o diagnóstico do distúrbio ácido-básico e a etiologia do distúrbio principal são, respectivamente.

Alternativas

  1. A)  alcalemia devido à alcalose respiratória – acidose tubular renal.
  2. B)  acidemia devido à acidose metabólica com ânion gap normal – cetoacidose diabética.
  3. C)  acidemia devido à acidose metabólica normoclorêmica associada à alcalose respiratória – intoxicação por etilenoglicol.
  4. D)  alcalemia devido à alcalose metabólica e acidose respiratória – intoxicação por ácido acetilsalicílico.
  5. E)  acidemia devido à acidose metabólica normoclorêmica associada à acidose respiratória - intoxicação por metanol

Pérola Clínica

Intoxicação por metanol → Acidose metabólica grave com ânion gap elevado + turvação visual.

Resumo-Chave

Pacientes com história de ingestão de álcool adulterado, sonolência e turvação visual devem levantar forte suspeita de intoxicação por metanol. A acidose metabólica de alto ânion gap é o distúrbio ácido-básico característico, e a pCO2 pode indicar compensação inadequada ou distúrbio misto.

Contexto Educacional

A intoxicação por metanol é uma emergência médica grave, frequentemente associada à ingestão acidental ou intencional de álcool adulterado, como em alambiques clandestinos. Sua importância clínica reside na alta morbidade e mortalidade, principalmente devido à formação de metabólitos tóxicos como o ácido fórmico, que causa dano tecidual, especialmente no nervo óptico e no sistema nervoso central. A fisiopatologia central da intoxicação por metanol é a acidose metabólica de alto ânion gap, resultante do acúmulo de ácido fórmico. O diagnóstico é suspeitado pela história de exposição e sintomas como turvação visual, sonolência e dispneia, confirmada por exames laboratoriais que revelam acidemia, baixo bicarbonato, ânion gap elevado e, idealmente, níveis séricos de metanol. A avaliação do distúrbio ácido-básico deve incluir a análise da pCO2 para identificar a adequação da compensação respiratória ou a presença de distúrbios mistos. O tratamento é urgente e visa bloquear o metabolismo do metanol (com fomepizol ou etanol), corrigir a acidose metabólica com bicarbonato de sódio e remover o metanol e seus metabólitos do organismo, geralmente por hemodiálise. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo a turvação visual um sinal de alerta para a gravidade da intoxicação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da intoxicação por metanol?

Os sinais e sintomas incluem distúrbios visuais (turvação, cegueira), dor abdominal, náuseas, vômitos, cefaleia, tontura, sonolência e, em casos graves, coma e insuficiência respiratória.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da intoxicação por metanol?

O diagnóstico laboratorial baseia-se na presença de acidose metabólica com ânion gap elevado e osmol gap aumentado, além da detecção do metanol e seus metabólitos (ácido fórmico) no sangue.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de intoxicação por metanol?

A conduta inicial envolve estabilização do paciente, correção da acidose metabólica com bicarbonato, administração de fomepizol ou etanol (antídotos) e, em casos graves, hemodiálise para remover o metanol e seus metabólitos.

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