Intoxicação por Metanol: Diagnóstico e Alterações Laboratoriais

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026

Enunciado

Raul, 33 anos dá entrada em mal estado geral no pronto-socorro. Há a suspeita confirmada de intoxicação por álcool metílico. Assinale a alternativa correta em relação ao paciente:

Alternativas

  1. A) Provavelmente Raul está apresentando acidose metabólica, hipopotassemia e hipercloremia.
  2. B) O medicamento mais eficiente para Raul é o fomepizol que aumenta a excreção renal do ácido fórmico e a degradação do formaldeido pelo fígado.
  3. C) Esse paciente deve ter um distúrbio gasométrico misto, acidose metabólica e alcalose respiratória, devido ao hiato aniônico aumentado.
  4. D) A habitual diferença entre a osmolalidade sanguínea real, medida por um osmômetro, e a estimada por fórmulas, deve estar superior ao normal nesse paciente.

Pérola Clínica

Intoxicação por metanol/etilenoglicol → ↑ Hiato Aniônico + ↑ Hiato Osmolar.

Resumo-Chave

O metanol é um álcool de baixo peso molecular que eleva a osmolaridade plasmática (hiato osmolar). Sua metabolização gera ácido fórmico, causando acidose metabólica com hiato aniônico aumentado.

Contexto Educacional

A intoxicação por metanol é uma emergência toxicológica grave, frequentemente associada ao consumo de bebidas adulteradas ou solventes. A chave diagnóstica reside na análise laboratorial: inicialmente, há um grande hiato osmolar (pelo metanol circulante). À medida que ele é metabolizado, o hiato osmolar diminui e o hiato aniônico aumenta (pelo acúmulo de ácido fórmico). O tratamento envolve o bloqueio da metabolização (fomepizol ou etanol), correção da acidose com bicarbonato e, em casos graves, hemodiálise para remoção do álcool e seus metabólitos.

Perguntas Frequentes

O que é o hiato osmolar e por que ele aumenta no metanol?

O hiato (ou gap) osmolar é a diferença entre a osmolalidade medida diretamente pelo osmômetro e a osmolalidade calculada por fórmulas (2Na + Glicose/18 + Ureia/6). Substâncias osmoticamente ativas não contabilizadas na fórmula, como o metanol, elevam a osmolalidade medida. Um hiato > 10-15 mOsm/kg sugere fortemente a presença de álcoois tóxicos (metanol, etilenoglicol ou isopropanol) no sangue.

Qual o distúrbio ácido-básico típico da intoxicação por metanol?

A alteração clássica é a acidose metabólica com hiato aniônico (anion gap) aumentado. Isso ocorre porque o metanol é metabolizado pela álcool desidrogenase em formaldeído e, posteriormente, em ácido fórmico. O ácido fórmico é o metabólito tóxico que se acumula, consumindo bicarbonato e gerando ânions não mensurados, o que eleva o anion gap.

Como o fomepizol atua no tratamento?

O fomepizol é um inibidor competitivo da enzima álcool desidrogenase. Ao bloquear essa enzima, ele impede a conversão do metanol em seus metabólitos tóxicos (formaldeído e ácido fórmico). Isso permite que o metanol seja excretado de forma inalterada pelos rins ou removido por hemodiálise, sem causar a acidose grave e as lesões orgânicas (como a neurite óptica) típicas da intoxicação.

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